Antes de se unir às feministas radicais, leia esse relato.

Publicado: 4 de março de 2015 em Feminismo, pessoal

Este post não deve ser encarado como mera experiência pessoal e isolada. Defendo que é ingenuidade ver assim. A motivação é pessoal, claro, como absolutamente tudo que é produzido por autoria. O Segundo Sexo foi fruto de motivação pessoal, por exemplo. Antes de se unir às feministas radicais, ouça quem já esteve lá e vazou por incoerência. E, leia até o fim ou nem comente pois nem tudo aqui vai ser previsível.

O que é o feminismo radical? Em minha palavras, é um feminismo materialista, americano, nascido na década de 70 e com riqueza de discussão da práxis feminista. Muitas feministas radicais foram mais que teóricas, foram críticas da prática feminista. Ele se contrapõe ao liberal por não ver como solução o empoderamento de indivíduos, mas derrubada de um sistema, no caso o patriarcado. E ele não é marxista pois não vê o capitalismo como a raiz das opressões, mas o patriarcado. Se faz recorte de classe e de raça? Depende da autora. Ele também evolui para uma experiência de separatismo lésbico e por que uso o termo “evolui”? Porque essas mesmas lésbicas sempre foram autoras radicais, que, pela prática feminista, por suas vivências enquanto lésbicas em um movimento heterocentrado, problematizaram a heterossexualidade como crucial para a dominação sistemática das mulheres e criticaram o heterocentrismo no feminismo. Lésbicas reclamando de lesbofobia. Assim como Audre Lorde e Angela Davis reclamaram de racismo no feminismo (problema desde as sufragistas até hoje).

E, atualmente, o que mais incomoda no feminismo radical no cenário feminista não é o manifesto SCUM, mas sim a premissa magna do feminismo radical de que gênero é um sistema hierárquico de vulnerabilização de mulheres pela invenção conhecida como feminilidade (“tradução” minha). Em suma, o gênero feminino não é próprio da mulher, é forçado a ela e todas as mulheres são submetidas a essa vulnerabilização bem como são carimbadas como o sexo a ser estuprado e objetificado. Friso isso para lembrar que, pelo feminismo radical, justamente por ele ser materialista, você não consegue fugir do gênero já que uma vez identificada como o sexo que deveria ser subordinado, toda a sociedade te julga como tal.

Eu saí da periferia com muitas das visões que o radical compartilha. Muitas. Desconstruí tudo no feminismo liberal pois eu quis valorizar o saber de mulheres feministas que estavam “há mais tempo na militância”. Me fudi. Essas moças não superam a masturbação intelectual de classe média fingindo inconformação com as opressões das zonas periféricas da sociedade. Saí de lá puta pois batiam palma para macho de trinta anos abusando de criança de 14 anos. Tudo liberado e o importante é se sentir bem consigo mesma. Coisa que eu já via nas propagandas de absorvente.  Eu persegui  quatro radfems, mas nunca passei dos termos “chatas, misândricas, implicantes, transfóbicas”. Não chamei radfem de gorda, olhos de demônio e nem disse que deveria morrer, ser estuprada, nada disso. Só achava elas perseguidoras do pobre humanista iluminado EV. Tentando entender a transfobia de mulheres feministas, me percebi presa a um silenciamento mental. E concordei com elas. Quando vi que não apoiavam pedofilia disfarçada de amor livre, me apaixonei. Me apaixonei pela teoria. Eu só não me entendi por lésbica, mas me libertei de bastante síndrome do Estocolmo. Mudei minha vida. Hoje sou uma mulher de cabelo crespo assumido, que dificilmente usa maquiagem (tb pq tem glúten) e que tem preguiça dos homens e tesão por algumas mulheres. Antes eu me forçava ao contrário. A sororidade entre as brancas era contagiante. Eu nunca tinha vivenciado aquilo no feminismo. Não havia tiro, porrada e bomba. Todas pareciam dispostas a se entender antes de se atacar. Até que o recorte racial foi cobrado. De fato, negras radicais existiam, e de fato, brancas teóricas radicais respeitavam o recorte de raça. Mas fazer teoria bonitinha é fácil. Praticar é outra coisa.

Eu militei um tempo na frente “yes we have pretas” radical e era muito bem tratada pelas feministas radicais ativas na rede. Muitas carinhas carimbadas de vocês.  Até que um belo dia fiz a infelicidade de problematizar feministas com empregadas domésticas NEGRAS. E fiz esse recorte porque isto não é nunca um problema de misoginia internalizada. E nem apenas de classe. Francamente, as brancas que se entendam. Mas era um problema racial e inadmissível. Não que o outro seja nobre, mas esse já é racismo. E, fazendo um adendo, racismo é a única opressão que uma mulher pode exercer sobre a outra, dentro do feminismo radical. Feminismo radical não é socialista mas faz recorte de raça. As brancas raramente grifavam isso, mas eu estava sempre dizendo isso quando as moças vinham criticar gordofobia, lesbofobia, etarismo e outros tipos de opressões por parte de feministas. Tudo era uma questão de socialização feminina. Não é fácil entender o feminismo radical sem leituras de base, aviso.

No episódio das empregadas, meu ask lotou de ataques. Ok. Só uma parcela ficou bolada, mas essa parcela me excluiu do facebook e ficou à espreita para atacar. Num episódio de liberais me acusando de gordofobia por ter dito que antes de se falar em dieta deveria-se checar a saúde da pessoa (eu tenho print), feministas radicais que tiveram o ego de sinhá ferido pelo lance das empregadas fomentou uma fogueira bizarra com a minha pessoa por gordofobia. O problema não estava nas liberais que só seguiam sua vertente. O problema estava em quem eu estava vendo ali na maior cara de pau e oportunismo de alimentar uma discussão que nem ela mesma acreditava. Arquivei mas não esqueci. Os ataques persistiram até eu bloquear as radicais que insistiam em falar de gordofobia, não sou obrigada, e eu era feminista radical. Paralelamente o racismo comia solto. Avançava…

Daí eu saí do feminismo radical pelo seguinte motivo: eu não confiava mais em mulheres.  Era simples, havia as moças mentirosas, as moças que faziam panelinha para destruir as outras, e se eu estava naquela panela, eu não era mais feminista, mas era uma panela para discutir mentiras e calúnias, eu precisava estar lá. É bem complexo e foi pela minha saída que criei esse blog. É muita coisa envolvida. Daria um livro. E coisas documentadas, por escrito. Posso ler e reler. Eu ajudei a criar o fundo radical, um fundo para manter uma reserva econômica para ajudar as moças feministas radicais com dificuldade, pois eu já passei por muita privação. Eu imaginei que se 20% daquelas moças doassem R$10,00 por mês, a gente faria muita coisa. Geral adorou a ideia. Mas de doações só três ou quatro mulheres. A maioria fazia parte da administração do fundo. Mas na hora da necessidade, todo mundo lembrava  do fundo. Eu me frustrei com aquele quadro diante de tanta mulher branca de classe média. Hoje falo isso abertamente sem dó. Isso causa ira nelas. E nem era um caso de desconfiar da gente pois havia muita mulher controlando a conta bancária que nem estava em meu nome, mas de outra.  Eu fiquei frustrada com aquela inércia para ajudar a outra, francamente. E quem conhece as feministas radicais e o fundo, sabe que era por inércia mesmo, até mesmo porque até para vizinhas  que estavam precisando de um colchão procuravam o fundo, mas para doar 10 reais não. Mas, graças à deusa, quem doava fazia com generosidade.  Valorizo muito o fundo e a experiência que tivemos com ele. Eu vim da periferia, e tinha muitas ideias porque da necessidade da periferia eu tenho minha parcela de conhecimento.  A mulherada tinha tempo pra tudo na rede, menos ajudar mais a seguir os projetos. Pode me chamar de tirana, mas eu estava ficando puta. Pois se eu estava aborrecendo muitas com as minhas ideias “megalomaníacas” (que não eram mesmo), porque tanta gente encorajando com likes? As ideias eram sim exequíveis. Bem mais do que implantar um comunismo sem hecatombe ou exterminar todos os machos do mundo. Enquanto isso o racismo avançava me deixando puta. Eu já não era mais feminista pois eu não confiava mais em mulheres. Era simples, se essa pessoa é tão sórdida, por que perdoá-la e não os homens? É tanta coisa que me faz não ser feminista que eu vejo hoje tudo como um delírio. E não por causa dos homens, mas por causa das mulheres. Suas panelinhas, seus complôs, suas invejas, seus chiliques, suas chantagens emocionais, seus egoísmos, suas mentiras e hipocrisias (tem feminista radical que já foi cafetina de menor de idade e hoje se passa por santa salvadora de mulheres periféricas). É muita coisa. Muita mesmo. Eu achei tudo muito construtivo para a minha formação política. Se eu fizesse parte de uma panelinha regional, talvez eu vivesse anos iludida sobre a índole dessa outra metade do ser humano. Eu sofri e sofro o chamado trashing até hoje. E agora o tal gaslighting. Elas negam, óbvio. Mas desde que larguei o feminismo e tenho reclamado do racismo e contratacado racistas, muitas moças só ficam na espreita me atacando. Os sintomas são tão radicais que é impossível negar. Um dia antes de um post X sobre mulheres ou racismo, eu era bem tratada. Um dia depois, aquele silêncio no meu face. E, francamente, eu não acho que preciso ser detalhista, mas a tática delas se revelam na coletividade. No padrão de comportamento. Imagine que antes de determinado episódio de problematização do tráfico, por exemplo, você tinha o fluxo de X formas de interações e após o post você tem só 0,2X. E param de falar contigo nos chats. Do nada. Acham que você não perceberá, claro, mas se esquecem do detalhe de ser coletivamente.

Só para vocês terem uma ideia, eu era administradora de um grupo, e quatro meses após eu ter deixado o feminismo, me expulsaram do grupo. Eu fui perguntar por quê. E falaram que era porque eu não era mais feminista. Perguntei se todas tinham tomado aquela decisão e quase todas alegaram que não. Mas uma parecia determinada a me ver longe. Quando vou ver semanas depois, essa mesma pessoa está orientando uma racista a processar uma negra por acusação de racismo. Essa mesma pessoa foi cafetina de menor de idade (segundo a  própria vítima) e estava administrando um grupo de feminismo. Um grupo onde eu colaborava bastante como administradora. E o meu problema mesmo com o feminismo radical, foquem nisso pois elas tentarão desviar o foco para qualquer outra coisa, é a porra do racismo. Eu me calo diante de lesbofobia, que é gritante. E me calo porque não sou lésbica. E sou paciente com diversos outros vícios tolos de militância como rixinha entre veganas (sou vegana) e não-veganas. Nossa, essas mulheres se matam por causa de ego ferido por crítica ao carnismo ou veganismo. Elas se perseguem até por causa de banda de música. Ou por divergência política entre anarquismo e socialismo. A sororidade facilmente se torna seletiva e feministas radicais na prática sobrevivem alimentando rancor pueril umas pelas outras. Até seriado e filme pode ser motivo para você alimentar perseguição contra outra mulher. Mas veganismo  e acusação de lesbofobia são os que mais ganham. Racismo é outro departamento que estou discutindo a parte. E num movimento de 90% brancas, racismo é visto como bobagem. Nossa, as coisas que me dizem quando rola racismo… as coisas que me dizem… Como racista tem toda uma equipe de mulheres muito preocupadas com a divisão no movimento e como mais tolerância é cobrada das negras…

Cara, é tudo tão escroto sobre o racismo que dariam 5 capítulos de um livro. E lesbofobia também. Feministas radicais são as feministas mais racistas e lesbofóbicas que eu conheço. As do sul estão fazendo um campeonato de quem é mais racista. E como elas se organizam, seus encontros ultimamente têm sido para passar a mão em cabeça de racistas e dizer o quanto as negras estão loucas e destruindo o movimento. Semana passada teve feminista radical dizendo que o feminismo negro está destruindo o feminismo radical. Tenho prints. E a cartada agora é “SOCORR, EU SOFRO DE DEPRESSÃO” em toda discussão onde se acusa abusos. Inclusive abusos de racismo. E sempre, sempre, tentam colocar outro tema na história para enevoar o tema racismo. “Ai, porque há muita intolerância hoje na internet”, branca se referindo aos seus problemas com outras mulheres quando na verdade ela está sendo acusada de racismo. Daí, a tática velha, elas colam numa negra. “Ai, vou me unir à fulana que parece estar por fora dos rolês… Nossa, como você é linda. Ai, adorei seu cabelo. Hahahaha, venha aqui em casa comer bolo”. Elas acham que nada disso é velho, que é tudo novo. O pensamento da racista é tão clichê que racismo já se provou  sintoma de burrice camuflada no acesso ao ensino superior.  Você diz no chat com a sua amiga “50 contos que ela vai postar algo de alguma cantora negra famosa” e a outra diz “100 contos se essa cantora for a Bey”. E ela faz… “Ai, como a Bey é linda, como eu queria ser ela”. São piadas ambulantes para negras fartas do racismo do radical, mas não para elas. Elas se amam, se dão a mãozinha e cantam a musiquinha da sororidade feminina. E fazem seus poemas de ode à sororidade. Como se o feminismo não fosse no fim uma big bosta no Brasil. Contribuição zero dessas moças às mulheres brasileiras. Elas só cuidam dos seus interesses mas não hesitam em pisar em outras. Reclamam de homens com o rabo todo sujo. E agora eu fui expulsa de um grupo que eu criei, o Vida Longas às Rainhas. Parece sem contexto, mas tudo isso por perseguição política de uma feminista radical que quando eu fui alertar que ela comentava um post racista, ela disse  pra eu ficar na minha que ela não tinha nada a ver com minhas “rixas” com a fulana racista. E me chamou constantemente de desocupada e mandou eu tratar a doença da minha cabeça que me faz perseguir mulheres (racistas, ela jamais dirá). E eu fui porque quem passa a mão em cabeça de racista, racista é. E todas estávamos de olho. Recebi essa resposta grosseira e esse meu post aqui foi excluído:

“Explicação sobre um post meu. Peço que não comentem para não dar treta. Em janeiro, eu fiz um post aqui mais ou menos assim: “Alguém mais aqui desconfia que depressão, e outros distúrbios neurológicos, sejam invenção da vida moderna?”. Eu tive que sair e excluíram meu post e nem vi o que aconteceu. Hoje uma moça veio me acusar de ter dito que mulherestinham que curar depressão com a força do pensamento. Isso é uma falácia do espantalho. Eu jamais fiz isso. Eu só achei de suma importância discutirmos a depressão, e outros distúrbios neurológicos, como enfermidades causadas pelo meio externo. Logo, o ideal, e dificilmente discutido, seria medicar o meio externo, e não o paciente. Justamente porque fica parecendo que o problema brota do paciente e que é assim que esse mal moderno vai ser controlado. Eu, há um ano atrás, criei esse grupo justamente com essa ideia, de que a questão da saúde era um ato político, que demandava militância. Militância, luta coletiva pela qualidade de vida. E o grupo surgiu disso, dessa pretensão de conscientizar as mulheres para fazerem disso uma luta coletiva. Como são muitas lutas, o grupo foi seguindo seu rumo. Mas eu pude discutir de boa que doenças como diabetes e coronárias eram fomentadas pela nossa qualidade de vida, que envolve necessariamente o meio externo. Não dá pra ter qualidade de vida vivendo muito bem num condomínio fechado, obrigada. Toda a sociedade e o meio ambiente influenciam em nossa saúde. A minha intenção então era essa. Eu esperava resistência das moças que consomem remédios em querer discutir isso pois os médicos delas disseram para elas que isso estava nelas, fazia parte delas, como um gene, uma característica intrínseca. E me desqualificaram, para varia, como ignorante sobre depressão, como eu não tivesse convivido (e ainda convivo) com isso. Tenho quadro de TDHA e outro distúrbio neurológico. Quadro. Não diagnóstico e nem apoio meu, mais, de que tenho transtornos. Para mim são respostas, alertas. Alertas políticos. Então, é falsa a acusação de que eu estou perseguindo mulheres com depressão. O maior problema aqui é que quando a gente tem depressão a gente não quer ouvir nada além da nossa própria voz interna. Eu não sou inimiga de mulheres como pintam e é bastante injusta a resposta que algumas de vocês dão às questões que trago. É mãe me odiando, deprimidas me acusando, e tudo é muito delicado. Mas também há choque cultural e tá na hora de a gente rever nossos melindres e suas origens, porque eu defendo que nem toda classe é assim, desse jeito. E não sou eu a responsável pela forma que vocês reagem às adversidades da vida. É feminismo ignorar vivências fora da classe social de vocês?”

Me expulsaram do grupo que eu criei com um ideal  político. E distorcem tudo que eu falo para montar uma imagem de louca, logo errada sobre as feministas brancas radicais.  E antes que você veja isso como pessoal, particular e isolado demais, lembre-se que a carta de Audre Lorde à Mary Daly foi toda baseada em episódios pessoais. Este é meu alerta sobre feministas radicais brasileiras. E é baseado no que meus olhos veem, independente de todo gaslighting (demonização)  que fazem  de mim para mascarar perseguição política que rola desde que comecei a problematizar além das convenientes pautas masturbatórias radicais. Está tudo registrado nesse blog que elas tanto torcem o nariz por não estar num livro em inglês. E já entrou pro acervo da realidade do feminismo radical de 2014-2015. As moças que se esforçam para não compactuar com racismo que me desculpem, mas essas moças que afastam as mulheres negras e lésbicas do feminismo e isso faz muita diferença mesmo diante dos vossos esforços. P.s: eu tenho minhas testemunhas, meus prints, para me defender de falácias do espantalho, sofisma favorito de muitas delas. E um registro histórico é super importante sim, em detalhes mesmo, para que as próximas gerações, pelo amor da deusa, tenham referências de como o feminismo é destruído pelas mãos das próprias mulheres mais privilegiadas pelo sistema. E tb tem alguma feminista radical que é tão sororária que vai no meu ask destilar ódio e racismo, me deixando de cara com a baixeza da ser humana. Editado, indireta de uma feminista radical que acredita em privilégio magro (eu peso 82Kg em 1,64 cm):



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Eu sou escritora e tenho livros publicados. Confira aqui . 😉

 

comentários
  1. RADicalista disse:

    Você é sempre muito sensata. O texto me contempla.

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  2. RADicalista disse:

    Republicou isso em Radicalistae comentado:
    Uma texto muito, muito importante.

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    • sammy disse:

      Oi Keli!

      Primeiramente queria dizer: obrigada por esse texto.
      Já faz alguns meses que conheci o feminismo radical, na verdade eu nunca tinha tido uma base teórica do feminismo, e foi só com o feminismo radical que li alguns textos e pude compreender melhor algumas questões que já estavam bastante banalizadas no movimento feminista em geral. Pois bem, durante todo esse tempo, eu passei a perceber as falhas,os abusos, a centralidade em uma supremacia branca. Todos os discursos não fazem recorte de raça, todos os discursos são centralizados em vivências de pessoas privilegiadas por serem brancas.

      Depois de todo esse tempo, hoje eu não quero em hipótese nenhuma ser chamada de feminista radical, mesmo que eu concorde com as questões da pornografia e da prostituição, eu não gostaria de ser chamada como radical. Eu penso que as feministas radicais querem levar adiante uma teoria criada em 1970, tendo 90% desse movimento como brancas, só que o patriarcado não vai ser destruído enquanto as mulheres negras estiverem a margem delas, ou estiverem fora desse movimento, porque o racismo é a raiz de tudo.

      Hoje tenho pensado melhor em tudo que tenho visto e lido, e seu texto foi tipo ”finalizou meu pensamento”, concluiu o que estava pra concluir.

      E sobre a questão da gordofobia… Eu era dona de um grupo sobre gordofobia no facebook, o qual eu me retirei a alguns meses atrás. Me retirei porque minhas concepções mudaram completamente, por muitas questões, a questão do ” privilégio magro” e também por questões de racismo.

      Enfim, quero dizer mais uma vez: grata por esse texto!

      * eu também estou terminando um pequeno texto sobre minhas observações do movimento feminista nos últimos meses.

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  3. Elizabeth disse:

    minha família me PROIBIU de seguir grupos radfem, porque minha depressão subitamente ‘evoluiu’ para uma psicose doentia de eu querer cometer suicidio todos os dias, inclusive ao ponto de ouvir vozes ordenando que eu me enforcasse, tomasse veneno, etc. De 1 transtorno psiquiatrico possivel, hoje tenho pelo menos uns seis, e nao tomo remedios por medo de ter aqueles pensamentos horriveis. Vi muita treta sem sentido, egos feridos e mulheres doentes adoecendo outras mulheres. Li inumeros textos ”’justificando”’ racismo e lesbofobia, a maioria sem nenhuma empatia. Vi mulheres negras acusadas de destruirem o movimento (que bom né). Percebi que minha luta é contra o mundo, e eu estou sozinha. Prefireria estar, pois sempre que ficava apenas comigo, era muito mais viva, meus pensamentos queriam a morte dos machos apenas, e nao a minha como hoje é. Teu texto sobre a mulher branca me contempla, eu já nasci morta e assim continuarei. Minha presença nesse mundo é irrelevante, e provavelmente continuarei sendo estuprada e abusada até o dia em que me jogarem em uma vala qualquer. 😦

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  4. Keli, estou lendo vários textos seus. Seus textos que analisam estruturas sociais, seus relatos pessoais, etc. Acredito ser necessário conhecer quem é a pessoa que escreve. Desculpa se parecer invasiva, mas sua forma de escrita me instiga a ler.

    Sou mulher branca, feminista e me alinho ao feminismo radical. Isso não significa que eu aceite todas as teorias, mas a análise materialista me ajudou muito no meu crescimento como feminista. Em pouco tempo de convívio em grupos feministas radicais (antes tinha medo de dizer que me alinho) percebi muitos comportamentos parecidos com os grupos de feministas em geral. Em todos os grupos que estive, vi acusações de racismo vindo de mulheres negras e elas são ignoradas ou, quando a moderação dá atenção, não há debate franco sobre o racismo no grupo, as feministas brancas não fazem retratação, ninguém toca mais no assunto e por não discuti-lo sempre voltamos ao ponto 0 e o racismo passa… continua passando.

    Muitas vezes, sinto receio de me juntar a determinada “vertente” ou grupo de feministas justamente porque não quero assimilar discurso de manutenção dos sistemas de opressão e formar as famosas “panelinhas”. Acredito na minha autodeterminação, mesmo com tantas condicionantes sociais. Acredito na transformação social que parta das pessoas que sofrem a opressão, sem idealizar que os oprimidos sejam o “bom selvagem”. Sou mulher, sei das situações que estou exposta em um sistema de desigualdade de gênero. Mas, também sou branca e sou beneficiada pelo sistema racial, mantido pelo racismo. Precisamos de pessoas que falem abertamente sobre si e sua participação nos movimentos sociais, sob pena de cairmos em uma fantasiosa atuação que não tem aplicabilidade na realidade ou, pior, que só fortalece, de forma consciente e premeditada, as estruturas de dominação.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Marie Jane disse:

    Agora que li sobre sua postagem muitas coisas que aconteceram nos últimos meses estão fazendo sentido. Se eu não tivesse outros contatos entre mulheres que fazem o recorte racial e de classe com viés feministas esse relato não teria chego até mim tão cedo (apesar de eu achar que chegou até que tarde demais). Tive contato com as provas (prints) e, digo isso para quem acha desnecessário mante-las guardadas, desde postagens em blogs pessoais até comentários em internet estão sendo ou ocultados ou editados para terem um significado ambíguo, o que é extremamente desonesto com as mulheres que apontaram falas e posturas racistas.

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  6. fireignition disse:

    Adoro seus textos, Keli! Mas… eu sei lá… talvez eu seja muito otimista, ou ingênua… eu quero que as rads parem de ser tontas e racistas e lesbofóbicas e que parem de ficar aceitando isso no movimento, eu quero fazer elas entenderem que isso é ruim… :c

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  7. vv disse:

    seu texto é tão essencial nessa roda, falas como a sua devem ser centralizada nas pautas do movimento. não sou negra, sou de familia indigena, mas criada fora da cultura; minha ferramenta é, em grande parte, o feminismo radical e esse tipo de atitude é muito recorrente mesmo. primeiro que so o fato de se entender o feminismo como primeira, segunda e terceira ondas já explicita qual o comprometimento material e histórico, afinal, nas américas e africa – só pra começar a se pensar além do eixo eurocentrico – já resistiam focos de resistencia de mulheres à dominação, tanto dentro de sistemas patriarcais violentos em suas etnias como contra a colonização branca, desde o tempo dos “descobrimentos”/invasões, então que ondas são essas? onde elas ficam nessa teoria? por que ninguém trata essas lutas como base também? até entre brancas houve quem se opos ao sugragio como libertação feminina, alegando que so tornaria mulheres cooptadas pelas politicas dos homens, e mesmo assim oq foi produzido nesse período tem um peso mais forte do que qualquer levante ameríndio, por exemplo. me incomoda muito essa santificação de teoricas brancas/europeias/norte-americanas, quando existem especificidades fora desse eixo que são essenciais para entender e modificar as politicas de classe sexual dentro das nossas realidades aqui, que apesar de existir fatores comuns, há demandas singulares para cada cenário social-étnico e essa recusa em entender as diferentes possibilidades dentro do proprio materialismo radical é extremamente danosa para que o movimento produza resultados sólidos e verdadeiramente transformadores. assim como a adoração de um deus masculino reforça a posição superior do masculino em uma cultura, a adoração/valorização quase que exclusivo dos modelos desenvolvidos por mulheres brancas sinaliza por quem esse feminismo trabalha.

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  8. Gabriela J disse:

    Gostaria de ter lido esse texto antes de começar a ser perseguida por um grupo de mulheres.

    Ainda assim, agradeço sua força. Foi muito importante ler isso pra mim.

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  9. Alice disse:

    Miga. Oi? É por isso que tem o negro radical ! CE ts na vertente errada . Ilusão sua achar que as brancas não vão ser racistas. ce acha que isso é só no radfem? Essa é mais uma razão pra eu não me envolver com feminismo branco ( não participo de nenhum grupo nem misto), minha luta é outra , bem diferente da delas mesmo. Tô bem satisfeita com as pretas radfem que conheci,maravilhosas, so cresço com elas! Queria só dizer que seu texto devia se chamar : Antes de se envolver com brancas, leia esse texto.
    E definitivamente seu texto é um caso isolado , nos últimos meses e semanas tem muita mina vindo pro radfem por ser o único ligar onde se sentem incluídas mas realmente ser preta e ser incluida no feminismo branco, com pessoas com realidades completamente diferentes das tuas , realmente não dá!

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  10. Olga disse:

    Avisei a todas vocês. A todas as pretinhas… E as pretinhas racharam, expuseram, comeram pipoca. Não existe ainda sororidade entre gente preta. Não posso confiar em mais ninguém porque tenho medo de saberem meu endereço, como com a fulana, tenho medo de amizades femininas e feministas, tenho medo de amizades pretas, vocês me deixaram com medo de tudo.

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  11. Cristina disse:

    nossa… eu só queria entender os diferentes tipos de feminismo, dei uma pesquisada no google pra entender as brigas feministas no facebook, mas acho q ficou complicado demais, rsrs… isso é uma guerra… eu tava pensando em participar mais do feminismo, mas não faço ideia de qual vertente… tenho medo de falar besteira e as feministas brigarem comigo, mas acho q é inevitável… eu queria me informar melhor antes de tentar discutir com alguém.. eu sinto q preciso de argumentos mais sólidos… vc me indica algum caminho? ou melhor não me envolver tanto nisso? ..como faço pra ser uma mulher mais participativa no feminismo sem ser super entendida no assunto? ..eu não quero me envolver se for pra ficar apenas me estressando e brigando com outras mulheres… quero aplicar no meu dia-a-dia… pra me ajudar e pra ajudar quem estiver ao meu alcance, sabe? … tipo, um guia, um entendimento geral, de como as diferentes vertentes e idéias feministas podem ser aplicadas no seu dia-a-dia… tipo… o feminismo (vertente) te ajudar a refletir sobre.. aplique de tal maneira… não sei se isso existe ou se a briga é muito grande e não dá pra fazer assim… o q vc acha?

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  12. Vi disse:

    Achei a crítica muito válida e o texto me contemplou parcialmente. Parcialmente, apenas, porque sou branca e ainda me considero feminista radical, e isso porque concordo com a base teórica do feminismo radical. Mas não tenho contato com outras feministas radicais há muito tempo. Já tive que passar por rixas, inclusive com pessoas que eu considerava melhores amigas. Tem hipocrisia e discussões (vegan/não vegan) típicas de branco classe média, e também percebi pouca compreensão quando lidava com a vida real, com depressão e outros problemas, o que mostrava uma sororidade rasa. As feministas radicais que conheço são todas mulheres de classe média que moram em bairros nobres, e fui excluída por elas de uma forma muito parecida com que fui excluída quando era a única criança pobre estudando em uma escola particular cheia de ricos.

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  13. Verô disse:

    OBRIGADA POR ESSE TEXTO MARAVILHOSO

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  14. A. disse:

    Eu concordo que existam sim radfems racistas e isso TEM e DEVE sempre entrar em discussão. Acho mais do que justo o texto, mais do que necessário. Mas também acho a generalização ilusória, sabe. ‘Rads’ racistas e lesbofóbicas, na verdade nem são rads. Afinal são pessoas contra o próprio movimento, contra a próprio senso de humanidade e nem mesmo devem saber o que estão falando ou reivindicando. Em qualquer lugar, qualquer grupo, há pessoas alheias, que só querem jogar suas frustrações em cima dos outros e justificar com as teorias do movimento.

    Confesso que achei o título do texto um pouco sensacionalista. “Antes de se unir..” é um meio que “não se misture com essa gentalha” rs e eu acho que não é bem assim. Particularmente, não acho possível haver uma boa comunicação no facebook sobre assuntos em geral. Opiniões contrárias levantam uma massa de pessoas se enfrentando. E pessoas são frágeis, nós somos frágeis. E na busca incessante de querermos manter nossos egos inflados, não é por menos que em nessa rede onde vários usuários criticam e questionam coisas publicamente, nós nos sintamos inseguros. A insegurança também leva a agressão, a discursos passivo-agressivos e o joguinho de ficar na defensiva. Eu não admiro isso de jeito algum. Acho um porre. Tanto que nem tenho facebook, mas consigo compreender a vulnerabilidade coletiva.

    Mas enfim, recomendo que você dê novas chances à pessoas que sejam realmente bem intencionadas no radfem, não qualquer uma que se diz feminista radical mas não tem a mínima prática feminista ou que simplesmente ignora que nós, fêmeas, passamos pelas mais diversas opressões e não tamos aqui pra brigarmos com nós mesmas. Se formos levar mais para o lado emocional, é muito fácil que nessas discussões passem a fazer mais críticas pessoais em vez de críticas conceituais. E isso é totalmente oposto ao que o feminismo radical me ensina.

    Beijos, espero que você tenha uma semana linda! 🙂
    Força!

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  15. Sandy disse:

    Olá, quando conheci o feminismo de cara já questionei diversos pontos como prostituição e pornografia, e como conhecia pouco do feminismo eu não conseguia enxergar onde eu poderia me encaixar. Com o passar do tempo fui conhecendo um pouco mais do feminismo radical e ainda estudo o movimento sem fazer parte de qualquer grupo, estou buscando aprender e nessa busca encontrei teu texto, que achei incrível e importante pois me faz aprender, ter conhecimento de uma realidade a qual eu não vivo. Isso foi uma coisa que aprendi com os movimentos sociais, me calar diante da outra mulher porque JAMAIS saberei da tua luta, tua necessidade enquanto mulher negra. Obrigada por esse texto que acrescentou demais ❤

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