Capitalismo é o termo criado por brancos para ofuscar a Supremacia Branca

Publicado: 23 de junho de 2015 em Críticas à Esquerda, Periferia, Sociologia

A nossa espécie é intrinsecamente opressora, assim eu coloco aqui neste texto, como análise pessoal após todo o meu acervo de leitura das diversas ciências. E logo descarto como de relevância para defender o que vou defender. Classismo, servidão, escravidão, exploração, xenofobia e genocídio são coisas que já nasceram com a nossa espécie. Se não nasceram, há decênios de milênios que já existem. E em caso da sociedade ser horizontal, ela era machista. Machismo é a lei que rege a nossa espécie.
Mas, diante da existência e persistência milenar da exploração de patriarcas sobre a humanidade, como um todo, E sobre os animais E sobre recursos naturais, é recuar demais em uma análise antropológica e sociológica sem discutir e nomear o sistema de opressão vigente. Porque já não vivemos mais em nichos étnicos e grupos sociais, vivemos em um mundo globalizado à força e com um intuito estratégico de exploração; Porque falar em exploração de homens por homens é colocar todas as sociedades como independentes entre si e com sistemas próprios de exploração, o que implicaria dizer, por exemplo, que cada país é uma unidade política autárquica constituída de classes econômicas. Ou seja, que cada país é autofágico e que a solução é simplesmente que esses países deixem de se explorarem. Ou implantem um sistema comunista. Com isso, sob esta perspectiva superficial e obsoleta já desde o século XVI, omite-se a ordem superior às independências das nações. Omite-se que as nações, HOJE, e há meio milênio, já não são mais unidades autárquicas de exploração autofágica, MAS peças de jogo de uma Potência Mundial, a saber, a potência Europa e Suas Colônias de Povoamento. E por que eu não disse logo EUA? Porque eu vejo os EUA como um braço desenvolvido de uma classe que desde o império Greco-Romano vem colonizando e explorando o planeta. E eu não quero omitir esta classe. Eu não quero deixar de nomear meus opressores. Ou, os grandes opressores.
A nossa espécie é uma espécie parasita, que vive do esgotamento dos recursos naturais. O expansionismo, ou imperialismo, foi apenas um fim que ela buscava desde sempre, só lhe faltando tecnologia. Eu não quero entrar nesses pormenores, recuar sobre as origens da nossa índole imperialista. E eu não estou fazendo recorte sexual aqui de forma consciente, pois depois de analisar honestamente a índole da fêmea caucasiana, eu tenho achado o recorte sexual um romantismo, um romantismo do qual estou me livrando e ao mesmo tempo admitindo a natureza da minha índole. No entanto, o imperialismo sempre pareceu o fim buscado pelo Homem, e, mais uma vez, a tecnologia foi a fada madrinha que possibilitou a realização desse sonho. Os pecados capitais (xenofobia, ganância, parasitismo…) sobre os quais eu tenho discutido ultimamente foram os fatores que tornaram este expansionismo uma praga ecológica e genocida sem precedentes. Nesta guerra crônica de poder entre os patriarcas primatas, eis que um grupo étnico se destaca e se sobrepõe aos demais. Este grupo tem uma localização geográfica específica e uma classe étnica também específica. Posso dizer também que ele tem uma linha histórica continua de opressão imperialista (opressão imperialista é a opressão que se dá pela exploração de nações, ou seja, colonialismo) e seu início se deu com o império Greco-Romano. Porém, é importante salientar que colonialismo era uma prática antiga e presente em praticamente todas as culturas humanas. Para ficar bem explícito, colonialismo era uma prática já praticada pelos maias, na América Central, pelos vikings, pelos egípcios, pelos babilônicos, pelos otomanos, pelos eslavos, pelos filipinos, por todos, cara, por todos mesmo. Abandone seu romantismo, ele só atrasa nosso realismo. A guerra pelo cetro imperial era antiga, geral e crônica. Frisemos isso, que nem novidade é. E desta guerra poderia sair um vencedor e saiu. E o catalisador disto foi o trunfo tecnológico ,que ao meu ver também foi fruto do colonialismo, das viagens expansionistas herdadas pelo império romano, pois essa mobilidade, esse trânsito, entre nações causou um acúmulo natural de capital cultural. E capital cultural é um poder gerador de poder tecnológico, além de bélico (melhor forma de derrotar seu inimigo é conhecendo ele e suas fraquezas).
Então, desde o império Greco-Romano que esta classe étnica tem saído da autofagia para devorar outras nações, via colonialismo. Existe, há mais de dois mil anos, uma classe étnica colonialista. Uma classe étnica que vem acumulando poder e eternalizando o mesmo por dinastia étnica. Logo, eu julgo impróprio falar de nações com classes que exploram classes, pois algumas nações não se exploram. Algumas nações exploram outras nações, muitas outras nações, todas as outras nações. E essa exploração se dá criando uma hierarquia étnica. Para quem ainda tem dúvidas, a classe étnica imperialista é a classe caucasiana, originária da Europa.
Ou seja, não é mais prático falar em capitalismo do que falar em supremacia branca. Pois são os brancos que, há mais de dois mil anos, têm perpetuado um sistema de esgotamento de recursos do planeta e de exploração de outras etnias. Devemos nomear os opressores e, principalmente, as suas armas. Falar em capitalismo é falar de uma realidade que há mais de meio milênio já não é sustentada. Porque para o branco a ideologia de acúmulo de capital é secundária, ou melhor, ela apenas uma ferramenta do seu poder. Para o branco a ideologia do aniquilamento de outras etnias e culturas é o mais importante e vou provar por quê.
Se a ideologia principal fosse mesmo o capitalismo, os povos caucasianos, oriundos da Europa, teriam facilmente se aliado (assim como eles se aliam entre si) com os outros chefes de Estado e poder de outras etnias. Mas não era assim. Durante as viagens expansionistas dos europeus, já havia um senso de identidade entre os povos europeus, ainda que eles fossem divididos entre si por motivos diversos, eles se viam como do mesmo nível de importância racial. Já os outros povos eram, por suas diferenças étnicas, e não por suas pobrezas (até mesmo porque muitos povos eram mais ricos), inferiores. Um europeu aristocrata, já naquela época, olhava para um europeu plebeu como da mesma raça dele. Apenas pobre. Enquanto o imperador indiano para este mesmo europeu era de outra raça, menos digno de habitar o planeta lhe dado por Jeová. E digo Jeová porque a Religião foi a ideologia decisiva na unificação e poder dos povos europeus. Ela era a carta magna da ideologia de supremacia caucasiana. O europeu se achava superior porque assim o Deus de Abraão quis, pois assim Roma lhe disse. Então, até as outras religiões, dos outros povos eram inferiores, ou um mal a ser combatido (As Cruzadas). A ordem era clara: o mundo pertence aos brancos! Então, todos os povos que não eram brancos eram inferiores. E quanto menos branco, mais inferior.
O império caucasiano foi o império que mais desmatou o planeta, que mais esgotou os recursos do planeta, e que mais cometeu genocídio. Os EUA foram apenas frutos de uma expansão deste império. Os EUA são os herdeiros do europeus. São a colônia de povoamento dos europeus. Assim como o Canadá e a Austrália. Assim como a Guiana Francesa faz parte da França. Todos os herdeiros brancos, em colônias de povoamento ou em colônias de exploração, são privilegiados em relação às outras etnias. Essa herança foi legitimada durante o processo de colonialismo da América. E, HOJE, não faz muito sentido a gente falar em homens que exploram homens, mas sim em brancos que exploram ou se beneficiam da exploração de outras etnias. Temos que nomear os opressores. E eles são os brancos nativos da Europas e os seus herdeiros nas colônias. É por isso que países desenvolvidos ou com um grau elevado de desenvolvimento são de maioria branca. E é por isso que nesses países as classes econômicas são muito melhor caracterizadas como classes raciais, onde a classe dominante, nesses países, tem uma cor muito mais clara do que a classe explorada.
E definir assim é de tanta importância que aí que jaz a minha revolta com os movimentos políticos de esquerda, os chamados marxistas, pois esses movimentos, geralmente compostos por indivíduos com acesso aos nível superior, têm representantes, “heróis”, brancos! E falar em capitalismo antes de falar, de grifar, de deixar explícito, toda a trajetória e a DEVASTAÇÃO SEM PRECEDENTES DO PLANETA da classe étnica caucasiana; antes de falar da supremacia branca; é, sem dúvidas, de uma conveniência… Só isso, é conveniente. E essa palavra conveniente não é uma palavra desprovida de implicações. A conveniência da esquerda em falar sobre o capitalismo simplesmente desvia a atenção para os seus privilégios brancos. Os mesmos privilégios que inclusive os fazem colonizar todos os discursos de esquerda e as produções intelectuais e acadêmicas. Os mesmos privilégios que os mantém ali, no papel de “”voz denunciante”” majoritária do sistema, em detrimento de negras e negros. Os mesmos privilégios que me fazem parecer paranoica e exagerada neste momento. E, por sua vez, esta crítica sem relevância. Mas é justamente no detalhe da conveniência que o sistema da supremacia racial se perpetua e continua devastando o meio ambiente e explorando as nações escuras sob o nome invisibilizador Capitalismo.
Uma vez que os opressores têm cor bem definida, sempre em relação aos oprimidos, inclusive quando o recorte é sexual, não venha me falar em capitalismo. Pois, para haver um capitalismo, negros, HOJE, deveriam estar compondo a classe de “burgueses” e “micro-burgueses”, participando dessa exploração. Ou melhor, países de maioria negra deveriam estar participando do jogo de domínio das outras nações e algumas dessas nações deveriam ser brancas.
Capitalismo é apenas uma ferramenta exclusiva da Supremacia Branca para impor a sua ideologia de superioridade racial e cultural. A sua ideologia de nação escolhida por Deus. Ainda que hoje muitos deles sejam ateus. Mas ele não é um sistema universal e acima da supremacia branca, pois não há nações escuras participando desta divisão do planeta em capitanias hereditárias. Não são ricos dominando pobres, são brancos dominando o planeta.


 

Eu sou escritora e tenho livros publicados. Confira aqui . 😉

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comentários
  1. […] poderia agora mesmo estar produzindo para o “capitalismo” (clique para saber por que coloquei a palavra entre aspas), inclusive minha vida seria muito […]

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  2. Bruna Oliveira disse:

    Não sei se tu é burra ou só desonesta mesmo. Acho que é burra. Vá ler Lênin e Mao pra entender o imperialismo e a sociedade de classes dentro dos países de terceiro mundo, antes de bostejar ignorância pós moderna e relativismo epistemológico com esse ar de arrogância como se houvesse descoberto a roda. Seu textinho é patético.

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  3. […] Capitalismo é o termo criado por brancos para ofuscar a Supremacia Branca […]

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  4. aaaaaaaaa disse:

    Achei incrível a sua posição, mudou minha vida. Fiquei um pouco perdida na parte sobre o Império Romano, me parece que esse projeto expansionista não é exatamente governamental já que as questões religiosas são e sempre foram muito determinantes. Senti falta de uma reflexão mais detalhada sobre a influência de Jeová nessa expansão.

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  5. natalia disse:

    “Pois, para haver um capitalismo, negros, HOJE, deveriam estar compondo a classe de ‘burgueses’ e ‘micro-burgueses’, participando dessa exploração.”
    Certeza de que há quem pense “ah, MAS tem negro que isso, negro que aquilo”, apenas parem. Texto maravilhoso e… escurecedor (?) :p Obrigada, Keli

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  6. brunaorsi disse:

    Olá, Keli. Sou leitora do blog há um tempo, mas só hoje li este texto. Você desenvolveu uma hipótese impressionante. Te acusaram de relativista, e aí fui pesquisar sobre o termo. Encontrei a seguinte citação de um epistemologista que propõe um novo método epistemológico: “os padrões de um debate científico só parecem ser “objetivos” porque se omite a referência à tradição considerada, ao grupo de adeptos que os utilizam.” Isso me fez pensar muito sobre a crítica que se faz ao pensamento pós-moderno e seus efeitos sobre as formas de se fazer política. Pensei sobre até onde seria negativo um modo de pensar relativista se ele questiona esses padrões de um debate científico, já que sabemos que a ciência foi feita por homens brancos. Já não passou da hora de recusarmos um “padrão neutro, absoluto e universal a partir do qual toda crença pode ser julgada”, (palavras da wikipedia rs) propondo outros ainda baseados no raciocínio lógico e coerente?
    Essa reflexão me levou a uma outra que tenho feito sobre o conceito também pós-moderno tão criticado pelos discursos materialistas do lugar de fala. Com certeza esse recurso tem substituído argumentos substanciais e se tornado uma amuleta pra discursos puramente identitários, mas será que também não pode ser positivo que ele tenha surgido nesse tempo histórico de quebra de paradigmas e de propagação de conhecimentos vindos dos grupos historicamente silenciados?
    Bom, espero ter me feito entender. rs
    Obrigada por compartilhar o texto… sendo estudante da usp, eu vejo na prática a esquerda se valendo dessa luta anticapitalista inócua pra manter seus privilégios raciais. Não acho, realmente, que seja uma mera “incoerência” entre prática e teoria, ou que seja a falta de infinitos “recortes”. Acho que o mais surpreendente da sua análise foi expor essa falha como um projeto político da supremacia branca. Abraços.

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