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E outros transtornos.

É um tema que protelei tanto para falar sobre… Na verdade, hoje acordei com uma vontade enorme de lançar minha contribuição sobre o cenário político do Brasil. Eu estou entre a calma entediada e a preocupação. Mas até minha preocupação é calma. I’m so fucking otimista.

Mas apenas sobre mim.

Se acontecer um apocalipse zumbi… Eu sobreviverei.

E se o golpe da Direita der certo…

Só dará porque nos EUA deu. Eu sempre olho pro norte para saber a guinada do sul.

Protelei muito para falar sobre depressão. E eu tenho um público interessado nessa minha análise. Mas eu protelei por preguiça, desinteresse, aka egoísmo. Eu estou bem. Eu estou muito bem.

Pense em você sob os efeitos dos ansiolíticos ou dos hilariantes… Eu já estou assim, mas sem esses medicamentos. Porque, veja bem, o medicamento não faz mágica (metafísica), não, ele só ativa o que você já tem potencial de executar. E, no meu caso, eu só estava com muito desiquilíbrio nutricional. Porque, no meu caso, pelo menos, eu tenho um puta organismo altamente desenvolvido para se adaptar às adversidades.

Se eu careço de problemas e traumas?

Novamente, pela 50° vez, vamos ao meu histórico sumarizado:

  1. Pedofilia incestuosa? Checked.
  2. Fome e miséria? Muito checked. Meu estilo de vida.
  3. Racismo? Checked.
  4. Ser tratada pior que bicho? Meu estilo de vida.
  5. Decepções e trairagens inúmeras, infindáveis, de pessoas de todas as cores e órgão sexuais? Checked. Meu estilo de vida.
  6. Problemas com autoestima? Checked.
  7. Violência doméstica? Checked.
  8. Perda de tempo com homens? Checked.
  9. Muitíssimo esforço e talento para lucro ínfimo e até sabotagem? Lei.
  10. Problemas de saúde? Checked.

A lista de desventuras é extensa. E a mais crítica eu não citei, os meus problemas familiares. Com parentes ascendentes e descendente.

Há muito descaso sobre os meus problemas.

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Isto é um animal de tração. E é assim que você me vê ao reclamar da minha vida. Fato.

E o motivo é unicamente racismo. Não vou me estender sobre isso. Quando você ignora o quanto eu tenho problemas e motivos para viver presa à uma cama esperando a morte por falta de coragem de se matar, você está exercendo sua programação racista. Porque você me vê como um animal de tração.

 

 

A importância da minha dor e dos meus problemas são de caráter irrelevante frente aos seus. Tanto para você, quanto para a sociedade. E digo isso até para o meu público preto que facilmente olha o outro preso com desprezo e descaso. Caso contrário, nosso movimento negro brasileiro seria forte, e não faloído.

Este é o meu 1° post sobre depressão

E demorei a fazê-lo por egoísmo mesmo. Eu não sofro disso, estou super bem, e todas as vezes que tentei repassar minha perspectiva ela foi reduzida à de “é só a criada preta desinformada”. Fui expulsa do grupo de saúde que eu criei sob essa justificativa (a verdadeira era incômodo com o meu apontamento de racismo, mas vamos fingir que eu acredito nas brancas e suas inúmeras desculpas para me expulsar de grupos. Maria Clara Bubna que o diga, essa nada auto-promoter às custas do sofrimento do povo negro…).

Mas meu discurso é: Eu superei a depressão. Com zero de medicamentos e outras drogas.

Então, vamos revisar isso.

O outro motivo é que… Eu tenho tanto a falar sobre isso, tanto… Que merecia mais um livro. Tentarei, juro, ser sintética.

Minha crítica à visão classe-média-consumista-desinformada-mas-arrogante é que:

  1. A classe-média, essa nada elite intelectual, mas uma piada ambulante de tão limitada, sempre teve esse hábito de recorrer à pílulas mágicas para seus problemas. Ela faz isso com tudo. Por quê? Porque é preguiçosa e mal habituada a não ter que batalhar. Nem para processar a própria comida.
    Ela faz isso com tudo, já começando na escola, ao demandar seus macetes e professorezinhos particulares (por pura preguiça e inabilidade dela mesma ler a porra do livro didático). Ela sempre busca atalhos. E por esses atalhos ela foge de ter que colocar a mão na massa, se unir à massa contra os problemas sociais, problemas coletivos. Em termos diretos, a classe média tem um vício liberal de lidar com os problemas.
    Então, ela é alvo predileto dos capitalistas, aqueles que vendem vício de consumo. E o melhor produto a ser vendido no mercado – depois do xarope de milho e outras glicoses – são as outras drogas. A droga é a mercadoria perfeita. Ela age diretamente no cérebro, dando bem-estar garantido, diferente daquele sapato leeeendooo ou daquele carro ostentação que nem sempre atrai elogios, e seu resultado é imediato. Por isso… por isso… Por isso o refino. Classe média adora resultados imediatos, sem ter que mover os dentes para isso. Se mastigar a comida para ela não fosse considerado nojento, ela exigiria que nós, suas serviçais, fizéssemos isso. Mas, pere, isso já acontece. As máquinas já mastigam os alimentos por nós. O nome disse é alimento processado… E naquela homogeneidade, onde você não consegue diferenciar mais cartilagem de gordura e por sua vez de músculo, pode-se acrescentar várias coisas, tipo… amido de milho, xarope de milho, carne de soja, goma guar, xantana (que vem do milho tb), pele, ossos, soro, nitritos, tartrazina e outros venenos… Adooogo. Você come o que sua busca eterna pelo não-esforço te premia.
    E desse não esforço, buscam-se pílulas para tudo, para emagrecer (mesmo o caminho sendo TRABALHO), para raciocinar melhor, para lidar com os problemas pessoais e sociais…

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    Veja isso, trabalho demanda Força e Mobilidade, nem que seja dos olhos para ler um livro. :O

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    Comprovamos além! Trabalho demanda força e mobilidade, mas acaba implicando gasto de energia, daquilo que você busca nos alimentos, mas parasita de outros humanos, animais e recursos naturais maquinizados. :O

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    Melhor equação! U é a energia, W, trabalho, e aí está explícito que Trabalho é Gasto de Energia. Gasto, perda, saldo negativo.

    Uma pílula que apague a sua mente latejando que algo está muito errado nos espaços ocupados e explorados pelos Homo sapiens modernos e que você deve se mover para mudar o quadro… Uau, isto é o que todo indivíduo classe média style quer. A metafísica dos problemas sociais.

  2.  Eu meio que já adiantei o meu segundo problema com a leitura que a classe média faz sobre o quadro de sintomas que um indivíduo desenvolve nesta sociedade paradisíaca e livre de vícios – O Mercantilismo. Para o mercador, o vício do consumidor é tudo. E desde a fermentação alcoólica e seus efeitos paliativos, de caráter virtual, que substância psicoativas se tornaram um vício generalizado, uma regra.

    No ocidente, tivemos inclusive uma guerra (no território oriental, curiosamente) chamada A Guerra do Ópio. Mas civilizações orientais, algumas, já reprimem o consumo de substâncias psicodélicas, tipo opaína e THC, mesmo presas em fibras naturais. E fazem isso porque o desequilíbrio (vício) de alguns indivíduos afeta a segurança de muitos, principalmente, tcharam tcharam… as mulheres.

    Sempre me perguntam se meu genitor estava bêbado quando abusava de mim. Quando ele me cobiçava ele não estava bêbado. Mas quando ele de fato me molestava, geralmente ele estava. BUT, não era uma regra. Essas coisas aconteciam já de manhã, quando ele acordava.

    E não é pequeno o número de mulheres que são violentadas tendo as drogas como personagens no cenário.

    Estou no tópico 2 e me perdendo. Droga.

    Mas é essa a essência do motivo 2, o mercantilismo, o controle das massas via vício em substâncias psicoativas que amortecem sintomas do corpo de que alguma coisa está estressante, errada. E se eu posso vender drogas (a melhor mercadoria ever) legais, damn!, eu vou vender drogas legais!

    Mas preciso convencer meu público de que ele precisa delas…

    E se eu tiver que estender o meu público ao infantil… Putos os que os pariram, melhor público. Pais desorientados e loucos para que aquele pirralho pare de encher a paz do seu lar (geralmente hétero) e um indivíduo em formação mais vítima ainda da alienação coletiva. Que aceita tudo que os adultos o vendem como verdade.

    A classe média e a burguesia têm uma relação de homem e mulher hétero. O segundo adora meter no cu de todos sem vaselina, e a primeira valida tudo em nome da fantasia. A dá suporte e a revende como importante.

  3. O terceiro motivo é muito relacionado ao anterior. Por vezes uma tática de dominação é a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e o próprio potencial. Alienação de si mesmo. Homens controlam mulheres as vendendo a mentira de que elas são incapazes e limitadas sobre coisas diversas. E as indústrias, a farmacêutica aqui, fazem isso com a gente. Nos vendem várias coisas usando anteriormente a retórica de que de alguma forma temos um problema e somos limitados… Fazem uma leitura ultra-conveniente e enviesada sobre os nossos problemas e já têm de pronto uma solução. Voilá, substâncias psicoativas de efeito paliativo (mascarador), vulgo drogas. Mas drogas legais.

    Eu poderia passar o dia inteiro bebendo, em teor controlado de álcool, de duas em duas horas, ou quatro, quem sabe, e poderia com isso querer ligar o rádio e cantar e dançar. Isto se chama estar bêbado. Isto não é, e conseguimos entender isso, lidar com nossos problemas. Isto é fuga dos mesmos. E fugir… Não tem dado certo. Não coletivamente. Individualmente concordo que em alguns casos sim. Outros não.

Eu, mente talhada na favela, resisto.
Resisto à manobragem de perspectiva de cunho essencialmente mercantilista sobre os problemas psíquicos que desenvolvo como resposta à vida de merda que levo nesse abatedouro humano. Abatedouro de mulher preta. Porque eu sou um ser humano, e o meu maior mecanismo de sobrevivência é a racionalidade. Que nunca separo da emotividade, da emotividade sobre mim mesma. Porque me amo, logo, resisto.

E justamente este “me amar” foi a meta da minha auto-terapia. E foi auto porque para as pretas a vida é assim, a gente tem que dar um jeito. E rola essa vantagem, da gente ter que criar mecanismos de defesa. Isoladas, temos a nossa própria filosofia. A burguesia não dialoga muito com a gente, exceto sobre as questões estéticas, mas basicamente de maneira indireta pois nem estamos nos outdoors.

Então, por ora, esta é minha introdutória contribuição sobre a Depressão e os Transtornos Psíquicos. Eu poderia esgotar mais esse tema? Poderia. Pois eu posso tudo. Mas não sou paga para fazer vocês despertar. Minha mente está ótima, eu superei esse quadro classificado como depressão, ninguém se importou ou se importa com o que passei, as lágrimas que derrubei e por quê, mas eu superei e foi fugindo (acidentalmente, admito) das verdades da classe média pseudo-científicas. Homens também usam pseudo-ciência para convencer mulheres de que elas são limitadas. E as indústrias fazem o mesmo com a gente.

Vou finalizar com a poesia da minha musa Regina Spektor aqui para resumir o que eu penso sobre tudo isso:

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“Eu tenho um corpo perfeito

Mas às vezes me esqueço

Eu tenho um corpo perfeito

Pois minhas sobrancelhas aparam meu suor.

Yes, they, they do ooo ooo”

 

Curiosamente, o suor tem uma relação com Trabalho, né?


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Este blog já tem mais de um ano. Achei por bem resumir as principais ideias que ele destacou ou trouxe à tona. Confiram:

  1. Mulheres brancas apontam erros nos homens sem terem interesse em descontruir os delas.
  2. Mulheres brancas deveriam ficar à margem do feminismo, não no centro.
  3. Feministas brancas perseguem mulheres negras tentando amordaça-las de diversas formas mais modernas.
  4. Baixa auto-estima é um fator chave para se ver presa numa paixão.
  5. Você não existe e você não tem essência de gostos, preferências, trejeitos, personalidade, etc.
  6. Racismo é a causa da Corrupção no Brasil e da maioria massiva dos nossos problemas.
  7. A escolha da carreira não deve ser idealista, mas realista em relação ao mundo, considerando que dinheiro é poder e tecnologia também é poder.
  8. Se todos formos egocêntricos, não haverá opressor. 
  9. O Tráfico de Drogas arruina a vida das periféricas e ele é sustentado pelo consumidor que se beneficia do risco de prisão alheio.
  10. Drogas refinadas são ferramentas de uma engenharia social de dominação e exploração do capitalismo.
  11. Drogas refinadas, ilícitas ou farmacêuticas, são propostas liberais e capitalistas de soluções para os problemas que raramente têm cunho individual, mas social. São fugas liberais de soluções materiais.
  12. A pecuária e a produção em larga escala de carne não apenas escravizam e torturam animais (as maiores vítimas deste sistema), mas degradam o meio ambiente, esgotam recursos valiosíssimos como a água, escravizam pessoas marginalizadas, desapropriam comunidades, principalmente as indígenas e reforçam o poder de corporativistas que já controlam há mais de um século o Estado. Os estados.
  13. Shopping centers são o puteiro do capitalismo.
  14. As bolhas intelectuais atrofiam o potencial cognitivo e de discernimento do indivíduo. Aliás, acrescento agora que elas são fruto de um modelo capitalista de produção de conhecimento. Fordismo se não me engano, não?
  15. Devemos falar mais, bem mais, dos diversos vícios capitais como a preguiça, o egoísmo, a desonestidade e a xenofobia, pois eles são os pilares e as raízes naturais dos sistemas de exploração e os diversos grupos de luta coletiva estão saturados com tais vícios, sendo apenas micro-espaços de reprodução dos mesmos.
  16. A Alimentação deve ser uma pauta política urgente.
  17. Não se deve lutar pelo opressor, mas sempre apenas por si mesma. Opressores que devem lutar pelos oprimidos. Não seja lacaia de luta.
  18. As empregadas domésticas são a base do conformismo da classe média com o machismo e com o consumismo. As empregadas domésticas são a base do conformismo da classe média com o machismo e com o consumismo. Maria tem que morrer!
  19. Heterossexualismo é um regime de dominação de mulheres e deveríamos desconstruir a feminilidade para nos libertarmos mais.
  20. Inexistimos, no entanto…

“Tem gente que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá. Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar. Tem gente enganando a gente, veja a nossa vida como está. Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesma”. – Renato Russo

— Maria, traga-me um café, por favor.

— Sim, dona Debby.

Ultimamente eu tenho falado sobre os vícios capitais, e um deles é a preguiça. Esse vício, para mim, é tão crítico que suspeito que ele seja elementar nos processos de opressão.

Veja Debby, por que ela mesma não vai apanhar seu café? Por que existe uma Maria na casa da Debby, limpando a sujeira da Debby e de sua família? O que torna Debby assim tão especial que é um ser humano que merece e pode ser servido por outro, no conforto de sua propriedade privada? Por que Debby mesma não faz sua própria comida, a coloca no prato e depois lava a sua louça?

Ah, Debby é uma mulher ocupada demais… Deixe-me ver, ela precisa de tempo para cuidar da sua carreira, dos seus estudos e até mesmo da militância em prol de Maria, acertei? Esta é a desculpa das débis…

Só que Debby só pode ter Maria em casa, a servindo, prestando serviços de serviliência doméstica, porque Debby tem privilégio de exploração econômica. E sem mencionar o fato de que Maria geralmente é negra, ou seja, exploração racial. A presença de Maria na casa de Debby é um privilégio de Debby oriundo de um sistema que favorece Debby e prejudica Maria. É uma duplicidade de exploração. Pois foi o sistema de exploração de Debby que criou a condição atual de Maria e por conseguinte forçou Maria a, por desespero, bater na casa de Debby em busca de um salário. Debby só tem dinheiro de sobra para pagar por Maria justamente porque Maria é pobre. E Maria é pobre justamente porque não pode estar no mesmo mercado de trabalho que Debby. E ela não pode estar neste mesmo mercado não porque ela escolheu ser serva domiciliar de Debby, não porque esta é a única coisa que ela pode fazer na vida, mas porque ela não tem a mesma herança de Debby graças ao sistema hereditário de exploração que favorece Debby. Graças à dinastia de Debby. Se Debby soubesse que este sistema, já firmado há tanto tempo na sociedade,iria permitir que ela não se enfadasse com a monotonia e desgaste dos serviços domésticos, serviços de manutenção de sua propriedade privada e de suas necessidades particulares diárias, Debby mesma enviaria uma carta ao passado ensinando seus ancestrais colonos a como dominar classes de pessoas e acumular fundos econômicos e tempo útil de vida. Debby faria isto, pois Debby é uma fêmea patriarcal. Ela tem o vício da preguiça, que parece nada demais, é até glamourizado nesta sociedade do espetáculo, mas que gera um ato, o de explorar tempo de vida útil energia alheios para poupar seu próprio tempo e energia. Sabe quantos joules Debby economiza com Maria? E tempo também? É isto que ela está comprando de Maria, joules e tempo. Joules (ou calorias) é unidade de energia. Energia roubada, curiosamente na Física, chama-se trabalho. E tempo… Ah… essa grandeza pragmaticamente pode ser chamada de vida. É isto que Debby está roubando de Maria, energia e vida. E o que ela faz com essas grandezas físicas, para onde vão? Bem, você já ouviu falar em lei da conservação de energia, não? Se Maria faz um trabalho que Debby deveria fazer, Debby poupa energia e tempo para aplicar em outras coisas, em sua vida. Debby poupa vida. A natureza macabra desta relação entre Debby e Maria pouco é frisada na práxis discursiva da Esquerda, porque, epistemologicamente, os autores de discursos libertários tradicionalmente são omissos. Não, não é por distração que eles não problematizam a existência de Maria na vida de Debby. Tudo bem que Maria nem existe para eles, ela é invisível. Aliás, isso é uma das qualidades que Debby almeja de Maria, discrição, invisibilidade (já reparou que em muitos filmes americanos de homens e mulheres solteiras a casa limpa e impecável é cenário constante, mas ao longo da trama a diarista nem aparece?). Mas os autores de discurso libertário, tradicionalmente, tanto na práxis, quanto na teoria, são omissos. Às vezes eles são tão omissos, mas tão omissos, que quando eles, por pressão social da sociedade de performance de libertarianismo, vão enfim falar daqueles que eles mesmos prejudicam por exploração, eles não se colocam como os agentes de opressão, não usam a palavra “nós”, e apelam para nomes abstratos como o Patriarcado, a Supremacia Branca (eles preferem racismo, menos enfático sobre o agente opressor), o Capitalismo, a Globalização… Dificilmente, “nós, homens”, “nós, brancas”, “nós, classe média”. se apropriam dos discursos de reclamação dos indivíduos oprimidos ou explorados e OMITEM  a autoria, ou fonte original, de tal discurso. Daí recebem os aplausos, créditos e confetes. De quebra saem como heróis.

Vemos aí um outro vício que por ora eu vou chamar de omissão.

Mas quando você vai dialogar com a esquerda marxista, a saber, branca ou homem (B /\ H), você não pode ser umbiguista e pensar só em Maria. Maria não é o centro do universo. Você tem mostrar como o problema de Maria é um problema que prejudica os acima dela. Vamos então encarar este desafio e analisar por que a existência de Maria na vida de Debby é a causa da morte de ursos polares.

Bem, imagine que Maria morreu e Debby ficou sem empregada (não era a intenção, mas me lembrei da primeira temporada de DesviousMaid agora). A casa vai ficar suja e a comida precisará ser feita. As roupas precisarão ser lavadas e passadas… Debby trabalha e frequenta a academia. Ela faz esse tipo de consumo de energia porque o corpo dela é o seu instrumento de trabalho na sua profissão de esposa. Sem corpo perfeito, sem marido. Sem marido, sem dinheiro e prestígio social. A sociedade é regida também pela vaidade, pelo espetáculo, não nos esqueçamos. Mas a casa está lá, suja. E Debby ainda ousou crescer sem aprender a fazer nada disso. Maria está morta e ninguém pode mais trabalhar para Debby porque não existem mais Marias. Existem Josevaldos, mas eles só cuidam no máximo do jardim, e eram as Marias que limpavam as casas deles também. Então, Debby vai ficar desesperada e vai pensar em limpar a casa, pois o marido, o Marcos, não gosta de sujeira. Mas Debby realmente é muito ocupada, ela tem manicure, cabelereira, academia, o trabalho, a pós-graduação… Marcos só trabalha. Ela quer que ele a ajude também. E então aquilo que ela sempre soube mas omitia para manter seu mundo de fachada, seu conto de fadas, intacto vem à tona: Marcos tem a certeza de que isso é obrigação de Debby. Ele no máximo colocaria o lixo para fora. Então Debby teria que reavaliar seu casamento heterossexual e explicitar o fato de que há uma divisão sexual de trabalho onde ou ela é a Maria de Marcos ou ela usa Maria. Mas o casamento com Marcos é prestígio. Debby investiu muito tempo da sua vida em feminilidade. Se ela se torna uma Maria, ela vai ter que deixar de trabalhar para ter tempo. Ou vai ter que abdicar da academia e voltar a fazer dieta de baixíssimas calorias. E vai ter menos tempo para toda a manutenção de feminilidade. Pouca gente sabe, mas Debby não é naturalmente daquela forma, ela faz todos os dias intervenções para se tornar aquela Debby, mas sem essas intervenções ela fica natural, com pelos, unhas descoloridas, cílios naturais, lábios sem cor artificial, e um ar de cansaço e estresse, pois ela realmente se cansa e se estressa. Ela não é feliz. E ela prefere se manter nesta farsa a perceber a realidade, que Marcos não gosta de mulher não-corrompida. O casal passa a discutir desde que Maria morreu. Seja pela casa suja, seja pela falta de “ajuda” de Marcos, seja pela aparência desleixada de Debby, seja pelas queixas sem fim de Debby. Maria parece que era mais do que uma empregada. Ela era o alicerce que mantinha a fachada de casamento feliz de Debby…

Ah, Debby não vai desistir assim tão fácil de seu casamento. Perceber que toda sua vida é farsa? Perceber não, pois Debby pode ser dissimulada, mas burra ela não é. Admitir… Não, não, não, o casamento dela não. Marcos a ama. Ele só não é obrigado a gostar tanto dela a ponto de se importar em dividir as tarefas de forma igualitária com ela e apreciá-la da forma que ela aprecia ele, com mínimas intervenções estéticas. Ele está calvo e barbudo. E ela não o largou. Mas ela tem ido menos ao cabeleireiro e os pelos insistem em crescer e… Olha, uma hora ele vai embora. Claro que tudo isso vai ser encoberto por brigas com outros temas, mas a realidade é que Debby se manter boneca é essencial para Marcos tolerar a existência dela na vida dele. Foi para isso que ele a comprou, pelo prestígio social. E pode até não haver outras debis pois as marias morreram, mas há as stephanies… Que são versões mais jovens, inseguras e ansiosas de Debby. Não, Debby já tem ido até à psicóloga desde que Maria morreu e essas inseguranças têm atormentado ela com mais força. Marcos realmente mudou seu comportamento. Mais um pouco seu casamento vai falir. O maior medo de Debby, não ter um marido para apresentar à sociedade.

Debby então procura Daniele, filha adolescente de Maria. A mãe de Daniele morreu, de todas as danieles. Daniele vai trabalhar para Debby. Em dois dias de Daniele na vida deles, Debby já pode notar como Marcos está menos irritado com ela…

— Mas, Debby, você não acha errado uma adolescente trabalhar para você só para você não ter que mexer no vespeiro que é o seu casamento hétero?

—Ahn? Não! Claro que não! Assim como eu ajudava Maria, eu estou ajudando a Dani. Dani já estava fora da escola, porque Maria não estava lá com ela, e a menina precisa de dinheiro para ter um sustento. E aqui em casa ela até economiza pois tem comida, tudo.

— Ela não deveria estar na escola?

— Ela não gosta de estudar, eu já disse para ela fazer um supletivo… Maria simplesmente não criou a filha com muita ambição. Você sabe, ela mesma pensava no quanto a escola foi inútil na vida dela já que ela podia trabalhar na minha casa e isso não demanda muito estudo. Eu nem exijo que elas saibam ler. E com essa desvalorização do mercado… Essas meninas não são bobas, elas sabem fazer cálculos elementares… Para que perder 12 anos estudando e receber o mesmo que uma empregada doméstica, podendo não estudar e ser empregada doméstica? Elas nunca chegariam numa universidade…

— Verdade, Debby…

Bem, Dani também foi morta. Pelo governo. Ele matou Maria e matou a filha. Debby não foi presa mas está inconsolada. Ela pensa na vida de milhares de marias e danis e critica um governo que tira o emprego das pessoas. Ela realmente queria ajudar mulheres a não passarem fome. Mas sua outra amiga, Debby, passou pelo mesmo, assim como todas as outras debis, pois todas as Marias morreram, e contratou uma empregada colombiana.

—Por que não inglesa, Debby?

— Que pergunta idiota..

— Desculpa.

— Estou dando oportunidade de vida para a Consuélo. E é tão chique uma empregada que fala espanhol.

— E Consuélo aceita um salário abaixo do piso pois é imigrante e não conhece seus direitos.

— A taxa de câmbio favorece ela mesmo assim.

— Entendo…

Debby, marca até uma viagem com Marcos. Ela mudou a cor do cabelo, ficou loira, e eles vão viajar. Vão levar as crianças…

Mas quando voltam, Consuélo morreu. O governo realmente disse que é proibido existências de Marias e Consuélos. Danis dá até cadeia. Um governo déspota, francamente.

As debis e os marcos ficam revoltados. Eles não imaginavam que a Maria faria tanta falta. Na verdade, só as debis percebem isso, os marcos reclamam ora do desleixo das debis, ora das reclamações delas. Elas estão intragáveis. Os divórcios aumentam. Todas as debis que não abandonaram o emprego para manter o casamento hétero funcionando, se divorciaram. Não dava. Arrumar toda a casa, tooooda, passar roupa, lavar louça, fazer comida, e ainda fazer unhas, ir para a academia, cabeleireiro, cuidar das crianças, ir nas reuniões de pais, fazer as compras e ainda trabalhar?

— Olha, Debby, você até tolera isso, pois ama demais o Marcos, mas eu me amo. Foi isso que eu disse para minha terapeuta. E ela quem me apoiou nesse processo.

— Eu… eu não sei… Se não fosse meu psiquiatra, eu também não teria aguentado essa vida. Eu estava com depressão.

— O que ele fez?

— Me prescreveu dois remédios.

— Ah, sim. A depressão é uma doença triste.

— Sim… E ele disse também que eu sou bipolar. Por isso eu e o Marcos brigávamos tanto. Oh, preciso ir, Debby, tenho hora com a minha esteticista, tchau, amiga.

As debis que puderam sair do emprego sem abalar a economia familiar, as casadas com marcos brancos e com poder de compra, parecem ajustadas a um novo modelo de família.

As debis mais analíticas e rebeldes estão sozinhas com os filhos. Elas percebem que os marcos só não eram antes mais ausentes pois moravam na mesma casa que os filhos. Eles agora nem aparecem para visitar os filhos e pagam uma merreca para ajudar na educação deles. Asdebiscolocam eles na justiça.

— Eu quero guarda compartilhada.

— Mas você quase nunca fica com os meninos, como agora quer guarda compartilhada?

— Meu advogado disse que assim eu não pago pensão.

As crianças vão e ficam metade do tempo com os marcos e a outra metade com as debis que ainda trabalham fora.

— Você está cada vez mais mal criado. Seu pai tem te dado comida direito? Ele te dá banho?

— Não, mas a vovó faz tudo isso. Fique tranquila. Ela cuida da gente e arruma a casa do papai.

— Ah sim, me esqueci que seu pai levou a mãe para morar com ele.

Debby pensou se isso não teria salvado o casamento dela, a mãe dela morando com eles e os ajudando… Mas Marcos nunca se deu com a mãe de Debby porque ela era muito crítica. Debby pensa em chamar a mãe para morar com ela. E chama. Mas a idosa morre de causas semi-naturais.

Debby tem três filhos e pede que eles arrumem seu próprio quarto. Ela percebe que seus filhos acham que ela é Maria. Como assim arrumar a cama, catar os brinquedos e colocar a própria comida? Aprender a cozinhar, mãe? Para quê?

— Não haverá mais marias, meninos, é sério.

As escolas já estão cientes de que a Maria morreu. Isto deu um grande impacto na sociedade. O número de pais divorciados… Uhr… A escola decide então incluir educação de tarefas domésticas nos currículos. Aquilo que parecia o fim do mundo para um indivíduo aprender é ensinado com glamour nas escolas. As escolas mais avançadas se gabam da modernidade.

— Na Europa e Japão isso já acontece.

— Ah, eu sempre achei que cada um tinha que saber fazer a própria comida, arrumar o próprio quarto… Mas é só as meninas que aprendem isso?

— Ah, não, ficaria feio para a escola fazer isso. Meninos e meninas.

— Nossa, é o fim dos marcos e debis.

— Parece que sim.

As escolas mudaram o currículo e o conceito de que ninguém é mais especial que ninguém a ponto de ser servido foi sendo implantado de maneira tácita numa juventude que cresceu sem ver Marias pelas casas. E debis menos débeis.

— E então, pela primeira vez na minha vida, eu pensei: Para que tantos objetos em casa? Sabe? É um círculo vicioso. E por isso gastamos tanto tempo com limpeza e arrumação. Eu reduzi as roupas, os copos, os talheres, os pratos, os objetos de decoração, os móveis. Minimalismo é a palavra do momento. Ser simples hoje é chique. Aquela sociedade do consumo excessivo está ultrapassada.

— Sim, é a nova tendência. Eu também reduzi tudo. Menos é mais. Por que a gente não pensou nessas coisas antes? Quero dizer, por que a gente gastava tanto dinheiro…?

— Eu não sei, eu não sei por que nunca pensei nesses detalhes…

— E agora que eu não tenho mais o Marcos na minha vida, eu me permiti ser eu mesma. E sabe o que descobri? Que eu amo a minha buceta. Sério. Peluda, cheirosa…

= Xi… Cuidado que é assim que se vira lésbica, amando a própria buceta. Li numa revista.

= Eu não me importo. Nunca senti prazer com homem. E, pela primeira vez, eu me amo de verdade. Tenho até pensado mais na minha saúde. Estou toda orgânica, natureba. Chega de artifícios!

Elas não se lembram mais de Maria, claro, e de como sua morte foi um marco na vida delas. Elas são omissas e os detalhes assim vão se perdendo no desdobramento dos relatos dos fatos passados, da História.

As crianças das debbies cresceram preparadas para um mundo sem Marias. Só nas casas das mães dos marcos que elas têm contato com as benesses de ter um ser servil. Tanto elas quanto os marcos são servidos por suas avós. Ou pelas stephanies casadas com os marcos, suas madrastas. Tudo bem…

A sociedade foi ficando com um senso maior de equidade, minimalismo e saúde só por causa do que a morte de Maria causou na vida da Debby. Mas o que me preocupa nessa história toda é como está a Dani e se ela ainda é serva do Josevaldo? Eu presumo que ela tenha voltado para a escola, pois não era mais permitido ser maria. Ou talvez tenha cedido à prostituição… Eu não sei. Não dá para saber. Raramente as transformações positivas na vida da Debby afetam a Dani. Mas com certeza as transformações positivas nas vidas das danis e das marias afetam positivamente a vida de Debby e suas crias.


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É de suma importância a leitura íntegra e atenciosa deste texto antes de elaborar uma opinião sobre o mesmo. Ele será dividido em duas partes: Discussão Mais Analítica e Indo Direto ao Ponto. Não é necessário ler ambas, mas é importante que a última parte, a central, seja lida na íntegra.

Sou feminista e tenho uma empregada chamada Dilma. Dilma é pobre, tem filhos e eu a ajudo dando emprego assalariado para ela. Eu ajudo Dilma, porque sou feminista e eu ajudo mulheres. Dilma, na verdade não é nem minha empregada, é minha amiga, quase da família. Não, Dilma é da família.

Uma Discussão Mais Analítica

Estou há um ano para escrever este texto, sobre este tema. Este tema me fez sair do feminismo porque foi trazendo ele à tona que a perseguição de forma sutil contra mim por parte de feministas começou. Primeiro a comoção foi direta, mas fraca em argumentos. Em seguida, os ataques aconteceram de forma indireta, estilo EUA mesmo em sua guerra fria. Onde meu nome estivesse sendo atacado, as feministas revoltadas com o meu defeito de criticar feministas que têm empregadas, ou melhor, de perseguir mulheres… elas estavam lá, alimentando a fogueira. Eu que era boba e inocente com a índole feminina, demorei a entender os motivos dos ataques. Mas como sou inteligente, pude ligar pontos e pontos e entender tudo o que estava acontecendo. E por quê acontecia.


Glossário:

Tempo de vida útil: O tempo que o indivíduo tem disponibilizado para si mesmo, para viver para si e por si acordado.

Prazer: Recompensa sensorial que o cérebro concede ao indivíduo para determinadas ações: prazer de comer, prazer sexual, prazer do ego, prazer de conforto, prazer lúdico (diversão), etc…


Vou te exemplificar essa tática. Por exemplo, feministas radicais não acreditam em gordofobia, mas uma ou duas feministas radicais magras alimentam o seu ataque por acusação de gordofobia por parte de feministas liberais. E você se pergunta por quê ???? Por que fulana te odeia tanto? Desde quando isso passou a acontecer se você antes era a negra token sempre citada para fazer a frente “yes, nós temos radfems negras”? Daí você se lembra quando foi a primeira vez que fulana e sicrana se desentenderam contigo. Quando você começou a falar sobre empregadas domésticas. Não é que fulana e sicrana tenham se reunido para praticar essa tática com toda uma estratégia calculista. Não, elas apenas por serem parecidas agem iguais e te concedem um padrão de comportamentos desonestos e ataque contra mulheres que se voltam contra a omissão  dos privilégios de muitas mulheres. Elas alimentam fogueiras contra você e onde estiver rolando ataque a você, elas aparecem do nada, com seus likes e difamações. Bem, daí você faz um texto criticando o financiamento do negrocídio pelo tráfico de drogas, e mais fulanas e sicranas aparecem. E depois você faz textos denunciando o racismo do feminismo e você tem uma rede de fulanas e sicranas e beltranas. Uma rede não, uma irmandade branca. Onde a buceta branca continua sendo a preferida por todas.

Não mexa com a irmandade branca do feminismo, é meu alerta para você, negra. Até mesmo quando indivíduos dela não se dão bem entre si, elas se unem, se aliam com o único propósito de eliminar a praga que você virou no feminismo. As calúnias, as exclusões, as difamações, os banimentos, o isolamento, os boicoites, as indiretas no ask, tudo, de forma sistemática, acontece contra você. A irmandade branca é forte. E infelizmente a negra é cada vez mais fraca, pois muitas negras têm síndrome de Estocolmo com seus opressores e opressoras, e racismo internalizado, e não vê nas outras negras competência e beleza (estética é um fator importante nas relações humanas, sempre foi). Não é fácil ser negra que critica o patriarcado. E mais difícil ainda é ser negra e criticar a irmandade branca. Este é o meu pedido: negras parem de dormir no ponto com o individualismo imaturo e antiestratégico, pare de se desunir de graça com negras só por divergências políticas. Negras não te oprimem, negras não oprimem nenhuma outra classe e brigas internas só enfraquecem a nossa luta em comum. Aprenda a amar negras pois as inimigas não dormem no ponto e elas se amam. E contam com negras que a amam.

Eu tinha 13 anos quando comecei a trabalhar em “casa de família”. Minhas funções eram levar a criança para a escola, cedo, arrumar a casa, buscar a criança e distraí-la. A criança era filha de um casal típico, um homem de mais de cinquenta anos e uma branca dondoca que se prostituia via casamento para ter aquele padrão doentio de classe média. Eles eram evangélicos. Ela passava a tarde e a madrugada no computador, e fazia mais nada. Quem tinha que arrumar a casa e cuidar do seu filho para viver era eu, uma adolescente de 13 anos que tinha sido retirada da escola (pelo pai pedófilo ciumento e possessivo que achava que a filha era para consumo sexual dele), e meu trabalho era integral, se segunda a sexta, dormindo na casa. Eu dormia no quarto do primeiro filho do coroa, que também já era coroa para a minha perspectiva juvenil. Fui demitida na primeira semana, porque não sabia lidar com tanta comida dentro da geladeira e da dispensa. Eles faziam compra de mês! E tinha televisão com canais estranhos… Fui mandada embora com um certo medo da minha mãe.

Bem, o que temos aqui? Um clássico comportamento humano onde o pecado capital são a preguiça e o parasitismo. E deixe-me definir preguiça aqui. Preguiça é a manifestação do indivíduo orgânico em conservar energia. Energia é aquilo que se usa (ou se gasta) na realização de trabalho ( dW(ork) = dE(nergy), onde d significa “variação)¨. E eram dois indivíduos parasitas, o primeiro, um macho humano que prostituia uma fêmea humana por instrumentação da dependência financeira e da misoginia internalizada. Ela deveria cuidar do seu corpo vendido, da sua prole e da casa familiar. No segundo caso, temos uma típica transferência de opressão, onde o indivíduo é uma fêmea humana que quer viver para si (aproveitar tempo útil de vida), então não hesita em alienar uma adolescente negra favelada de sua formação educacional. Ambos os processos são parasitismo. A prostituição é um parasitismo, mas não vou focar nela agora principalmente porque para feministas é conveniente focar na opressão que a mulher branca sofre em detrimento da opressão que eu, na adolescência estava sofrendo. Não apenas pelo homem, mas pela mulher também. Ela poderia seguir a opressão dela sozinha, sem explorar outra mulher, mas o que ela faz? Ela colhe as benesses disponíveis da sua exploração (o consumismo, o tempo disponível, a autoestima virtual elevada…) e repassa o trabalho escravo para a jovem negra. Um trabalho que foi cobrado dela, ela repassa a mim.

Isso é muito na História, a preguiça e o parasitismo humano. E, ainda que muitas leitoras estejam fazendo pouco caso desses vícios de comportamento, eles são a base da exploração. Todo animal precisa realizar trabalho, seja na busca por comida, seja na cópula reprodutiva, seja na fuga de predadores ou mesmo nas atividades de lazer. Demandam trabalho, ou seja, gasto energético. Mas, alguns animais investem no parasitismo, que é o ato de fazer o outro realizar o trabalho por você. Você, parasita, está interessado no produto do trabalho, que é o prazer E O TEMPO DE VIDA ÚTIL, mas você, parasita, é preguiçoso (ou preguiçosa), então não quer gastar energia, então sequestra indivíduos em situação de vulnerabilidade e os alienam de sua própria vida. Isto é um roubo de energia alheia para conservação de energia própria. Isto é uma alienação da vida alheia, um aniquilamento do tempo de vida útil do indivíduo explorado. Eis aí as fibras da tessitura da exploração inter-humana: preguiça e parasitismo.

Mas, vamos partir para as fibras do próprio parasitismo. Do que é feito é o parasitismo? O que faz uma mulher parasitar a outra? Isso é fruto do patriarcado e da socialização feminina?

O parasitismo é o ato de sequestrar indivíduos de sua própria vida útil para conservação de energia própria e reserva de vida útil próprio. E o que faz uma mulher parasitar a outra? Preguiça, como eu disse e explique acima.

Falta de empatia, que pode ser bem interpretada como fruto do individualismo, umbiguismo, sentimento de superioridade para o outro, xenofobia, etc.

E poder sobre a pessoa parasitada. Ou seja, para você parasitar alguém, você precisa que este indivíduo esteja com o seu ego minado ou em situação de desespero. No caso específico entre mim e a mulher branca (lembrando que feministas automaticamente sentirão mais pena e interesse na opressão da mulher branca, apesar da prisão dela ser bem mais confortável que a prisão dos meus irmãos negros e às custas de racismo, às custas do sofrimento da mulher negra), o poder que ela tinha sobre mim era sistemático e se devia à toda condição que a classe dela, via supremacia branca, inseriu a mim e a uma legião de escravos. Favela existe, pessoas desesperadas por subsídios de energia e com baixa autoestima existem, e assim aquela mulher pode me cooptar de minha vida para me parasitar e anular a minha existência. E ela fez isso por total falta de empatia.

É a falta de empatia e o poder que forma um opressor. Ou opressora.

Então, quando eu vejo uma feminista convenientemente se valendo da estrutura social que marginiliza mulheres e a população negra (ou colombiana, ameríndios…), a saber, o MACHISMO E O RACISMO… quando eu vejo MULHERES FEMINISTAS convenientemente se valendo disso para terem o benefício do tempo de vida útil às custas da vulnerabilidade de outras MULHERES E DA POPULAÇÃO NEGRAS, minha mente viciada em lógica começa a equacionar fatores sociais de discurso e coerência. Lembrando que o verbo é político. E eis as premissas que se passam em minha mente:

– São mulheres feministas, ou seja, mulheres que protestam contra o machismo (parasitismo de indivíduos por hierarquia sexual).

– São indivíduos reclamando de exploração.

– São indivíduos reclamando de exploração mas recorrendo a ela para terem o benefício do tempo de vida útil.

– São indivíduos reclamando de exploração mas se beneficiando da condição de vulnerabilidade de mulheres e de negras.

– E quando a empregada é negra, a coisa ultrapassa a incoerência, ela se torna hipócrita e podre, pois são indivíduos que reclamam de exploração mas se beneficiam de um sistema de miséria da população, de um sistema de fabricação da miséria, onde a empregada negra é o seu produto maquinário para realizar trabalho para você, branca.

E a alegação rápida é “eu estou ajudando a minha empregada, dando-lhe emprego”. E a omissão é “eu estou me valendo da regalia que o sistema de racismo me concede em disponibilizar indivíduos desesperados e alienados de sua própria condição humana para se submeterem à serviliência”.

Você só pode ter empregada porque você tem poder. E este poder é herança e produto da supremacia branca.

Você só pode ter empregada porque existem pessoas pobres, muito pobres, excluídas do sistema educacional, sem capital cultural; pessoas desesperadas pelo básico de sobrevivência.

Você só pode ter empregada porque a pobreza existe. E geralmente a sua empregada é negra ou parda. Quando não colombiana. Me diga, coincidência isso?

“Ah, mas se eu não der emprego para essa mulher negra trabalhar na minha casa, ela passará fome”. Sim, feminista, isso aconteceria, assim como aconteceria com prostitutas caso os homens não lhes dessem dinheiro para objetificar seus corpos. Mas você, enquanto feminista, que estuda com afinco e materialismo o esquema de estruturação do patriarcado, sabe que antes da prostituta se ver forçada ao estupro “mercantilizado”, os homens a lançaram e a lançam na miséria por pura conveniência. A pobreza e a baixa auto-estima das mulheres é o que retroalimenta o patriarcado. Você, enquanto feminista, deveria saber disso. Então, da mesma forma que os homens alegam ajudar prostitutas, se omitindo sobre toda a estrutura patriarcal, você faz semelhante quando alega estar ajudando mulher negra colhendo as benesses do desespero dela. O benefício de ter alguém te servindo na sua propriedade privada.

Vejamos…

A mulher negra, a sua empregada, te serve hoje em casa porque:

( A  ) ela não gostava de estudar e preferiu atividades mais simples que exigem baixa escolaridade.

( B ) ela foi favelizada pela herança do racismo e se viu com poucas oportunidades no mercado de trabalho.

A ou B? Me diga você.

Sendo B, qual classe a manteve lá? De qual classe parte o racismo que a mantém lá? Com quem está a herança capitalizada, em forma de grana, de todo o trabalho escravo que seus ancestrais negros escravizados fizeram?

Sua classe parasitou negros, os torturou de formas atrozes, e os matou e continua matando e marginalizando e se mantém com toda a herança de capital financeiro e cultural* (o saber enriquecer, o saber de direitos civis, o saber político), ou seja, tem uma dívida astronômica e de séculos com a população negra e quer restituir isto os fazendo trabalhar para vocês?

É o mesmo que eu roubar todo o dinheiro e bens de alguém e dizer que vou devolver caso a pessoa trabalhe para mim.

Tendo você esse privilégio de ter um salário mínimo excedente e tanta preocupação com o desemprego da sua empregada negra, senhora feminista, por que você não pratica a nobreza de dar este dinheiro para a sua emprega com a condição de que ela finalize sua formação educacional, se empoderando com capital cultural e até abra um negócio para si mesma? Se feministas brancas fossem mesmo nobres e estivessem lutando por mulheres, como dizem, elas jamais teriam uma empregada, e elas colaborariam para a diminuição da miséria do povo negro ajudando uma mulher negra. E uma mulher negra empoderada muda tanto o mundo… Se você fosse uma egocêntrica inteligente, e não burra, investiria nisso. Então, eu te proponho isso, está com dinheiro sobrando para todo mês seguir o plano do governo nada eficaz no combate à pobreza de pagar um piso mínimo para esta mulher marginalizada? Dê a ela este dinheiro sob a condição de ela estudar. Isto sim seria ser feminista. Isto sim. Mas você jamais fará isto, porque a sua natureza é igual à natureza de quem você julga. Depois que ela terminar os estudos, ajude ela a abrir um negócio próprio. Ou talvez ela possa fazer isto em concomitância com os estudos. Incentive ela a fazer vestibular. Ela não é quase da família? Seja uma irmã para ela, então, oras. E ainda assim, você só estaria restituindo o que sua classe roubou da classe dela.

Já dei uma solução, mas não vamos parar por aqui. Vamos avaliar um pouco mais as desigualdades entre você e sua empregada e que você fomenta neste círculo vicioso de negros servindo brancos. Nunca fui aos EUA, mas pelo que eu vejo nos filmes e séries, negros não trabalham em casas de brancos como empregados. Por isso os latinos, não? Eu não faço ideia do porquê deste fato social, se por racismo, nojo de ter negros servindo, ou por causa da força do movimento negro de lá, oriunda da falta de miscigenação entre as duas etnias (negra e branca). Não sei, eu não sei de tudo, mas é um fato social curioso, caso existente.

Quando você vai trabalhar para manter ou elevar seu padrão de vida, privilegiado e fruto de herança da escravidão de negros, você gastar seu tempo de vida útil. Deixe eu fazer as contas aqui… 10 horas diárias, contando o trânsito, de segunda a sexta, 50 horas semanais de [(24-8)x7] 112 horas semanais, te rendem (pelo sistema que a sua classe branca criou) 62 horas semanais de vida útil. 62 horas semanais de tempo livre para você. Vamos ver o caso da sua empregada agora.

Se você for uma patroa modernizada pelo “maldito PT”, sua empregada tem 12 horas diárias, contando o trânsito, de segunda a sexta, 60 horas semanais de [(24-8)x7] 112 horas semanais, que a rendem 52 horas semanais livres de vocês. Risos. Isto se você for uma patroa que segue a lei trabalhista.

Bem, o que ela faz com essas 52 horas? Provavelmente ela tem filhos, pois mulheres negras são as maiores vítimas do patriarcado, logo, são as que mais sofrem maternidade compulsória. E é comum mulher negra ser abandonada com suas crianças. Eis uma situação comum na vida familiar da sua empregada:

– A casa dela precisa ser limpar também, a roupa lavada, a comida feita, tudo isso. Ou a filha negra dela faz (se ela tiver), ou ela fará. E arrumar casa demanda tempo. Fazer comida também. Se ela ainda vai arrumar a casa, são menos horas dessas 62 horas semanais livres de você. Vamos dizer assim, 4 horas diárias (em média) fazendo comida e arrumando casa, por 7 dias, 28 horas. Sobram 24 horas. Ela trabalhou 40 horas para você, ou seja, você não vai precisar gastar 40 horas das suas 62 horas semanais de vida útil, elas estão a salvo para você: fazer suas unhas, ir para a academia, ficar no facebook, ir para a praia, balada, amigos, namorar, ler livros, ver séries, etc.

Ou talvez a filha dela esteja deixando de estudar para cuidar da casa e dos irmãos (meu caso J ), enquanto a mãe vai fazer o trabalho de te servir na sua propriedade privada e familiar.

Seus filhos, estão indo para escola, as melhores escolas do país, em relação às escolas disponíveis para os filhos dela. E ela até te ajudar a garantir que os pirralhos mimados estão indo para a escola, se educando e garantindo o futuro branco. Já os filhos dela estão sem pai e mãe e casa, sem nenhum adulto supervisionando. E na pobreza. É alto o risco de algum adulto violentar seus filhos. Ou os sequestrarem para o tráfico e prostituição. O círculo de violência na favela é intenso, e seus filhos estão inseridos nela. Esta é a herança que a sua classe disponibilizou para esta mulher, nasce, crescer e morrer na favela. E seus filhos facilmente largarão os estudos, principalmente porque a mãe não tem tempo para supervisioná-los. Esta falta de supervisão dos filhos, gerará preocupações maiores para a mãe, pois é um acúmulo de ausência parental, e esse acúmulo reflete na formação dos filhos. Isto para uma mãe são horas perdidas. Eu sei porque passo pelo mesmo problema com o machinho que tenho em casa. Ele mata aula porque eu, mãe solteira, não estou ali dizendo “fulano, vai pra escola”. Mal escova os dentes sem eu mandar. Tem 14 anos. Os filhos dela, vítimas da falta de supervisão parental, passam por coisas piores pois a favela é que os cria, com todos os seus problemas sociais e modelos de violência.

Não dá para contabilizar horas aí, mas dá para encarar os efeitos a longo prazo:

– Ela num subemprego que jamais a desfavelizará.

– Seus filhos sem supervisão parental e expostos a riscos sociais bem mais graves que os seus.

Ela pobre, e seus filhos herdando a favelização, num círculo vicioso onde a filha sofrerá maternidade compulsória, será empregada doméstica, mãe solteira com vários filhos miseráveis, e seu filho coaptado para o tráfico ou sendo explorado em subempregos. E toda a humilhação de ser pobre e excluído da sociedade. Sua empregada e seus filhos continuarão com baixa escolaridade e servirão como bobos da corte para a classe média facebookiana, que adora ri da forma como eles se comportam, se vestem e se comunicam. O circo da miséria. O círculo vicioso da pobreza.

E você? Você terá seu tempo de vida útil com 62 horas semanais, a educação dos seus filhos ficará garantida, o capital cultural deles também, e eles contratarão os filhos dela para trabalhos que gerem lucros superfaturados sobre a mão de obra barata deles.

Demasiadamente conveniente isto, não?

Uma classe étnica eternamente servindo a outra. E esta serviliência começa onde? No ambiente mais íntimo, no lar.

Indo Direto Ao Ponto

Agora, voltando às feministas com empregadas. Elas pensarão automaticamente primeiro na condição de vida delas. Só não falem dessa condição para mim, pois minha história de luta e vida é humilhante para todas vocês, brancas. Criei meu filho 80% sozinha, estudei, me graduei, ascendi, tudo isso sem mãe, sem marido, sem outra mulher sendo minha muleta. E muitas feministas têm empregadas e maridos, e colocam culpa no marido. Ora, são duas pessoas fazendo sujeira numa casa e não limpando a própria sujeira. Coloque este homem para fora de casa e o trabalho se reduz. Mas não mantenha seu casamento seguro e sem conflitos às custas da retroalimentação da miséria e violência alheia. Apenas pare! Sua obrigação é ajudar mulheres negras. E não destruí-las ainda mais. Se feminista não for exemplo para a sociedade, pouco se tem a reclamar sobre as diversas formas de exploração. Se você não tem tempo de vida útil por motivos de sistema econômico ou por motivos de exploração sexual, não ouse resgatá-lo às custas das mulheres negras e seus filhos. Isto até é o que te mantém na conivência e sem desconforto efetivo com as explorações dos machos. Seu casamento sobrevive porque você transfere a opressão do seu macho sobre outra mulher. Esta mulher é o capacho do seu casamento.

Depois não ouse reclamar do machismo do homem negro. A violência sexual contra as mulheres mais pobres é bem maior e parte disso se deve ao racismo, pois a igualdade social e o desenvolvimento humano reduz sim a violência sexual. Quando estatísticas provas que mulheres negras são as que mais sofrem violência sexual, o fator aqui de disparidade entre negra e branca é racial.

Eu acho que o feminismo tem que sair urgente da zona de conforto da falta de auto-crítica e da omissão sobre como as brancas ajudam a manter o sistema de classe, porque esse sistema de classe não é fruto de um capitalismo universal, não, ele é fruto da supremacia racial. Não são pobre servindo ricos, há tempos que não é assim. São negros servindo brancos. E negras servindo feministas, seja em casa, seja nas lojas e shoppings, seja nos banheiros das universidades, seja no próprio movimento feminista.

Restituição é a sua obrigação. Mas transferência de crédito com exploração de mão de obra jamais será restituição, continuará sendo mais do mesmo.


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A nossa espécie é intrinsecamente opressora, assim eu coloco aqui neste texto, como análise pessoal após todo o meu acervo de leitura das diversas ciências. E logo descarto como de relevância para defender o que vou defender. Classismo, servidão, escravidão, exploração, xenofobia e genocídio são coisas que já nasceram com a nossa espécie. Se não nasceram, há decênios de milênios que já existem. E em caso da sociedade ser horizontal, ela era machista. Machismo é a lei que rege a nossa espécie.
Mas, diante da existência e persistência milenar da exploração de patriarcas sobre a humanidade, como um todo, E sobre os animais E sobre recursos naturais, é recuar demais em uma análise antropológica e sociológica sem discutir e nomear o sistema de opressão vigente. Porque já não vivemos mais em nichos étnicos e grupos sociais, vivemos em um mundo globalizado à força e com um intuito estratégico de exploração; Porque falar em exploração de homens por homens é colocar todas as sociedades como independentes entre si e com sistemas próprios de exploração, o que implicaria dizer, por exemplo, que cada país é uma unidade política autárquica constituída de classes econômicas. Ou seja, que cada país é autofágico e que a solução é simplesmente que esses países deixem de se explorarem. Ou implantem um sistema comunista. Com isso, sob esta perspectiva superficial e obsoleta já desde o século XVI, omite-se a ordem superior às independências das nações. Omite-se que as nações, HOJE, e há meio milênio, já não são mais unidades autárquicas de exploração autofágica, MAS peças de jogo de uma Potência Mundial, a saber, a potência Europa e Suas Colônias de Povoamento. E por que eu não disse logo EUA? Porque eu vejo os EUA como um braço desenvolvido de uma classe que desde o império Greco-Romano vem colonizando e explorando o planeta. E eu não quero omitir esta classe. Eu não quero deixar de nomear meus opressores. Ou, os grandes opressores.
A nossa espécie é uma espécie parasita, que vive do esgotamento dos recursos naturais. O expansionismo, ou imperialismo, foi apenas um fim que ela buscava desde sempre, só lhe faltando tecnologia. Eu não quero entrar nesses pormenores, recuar sobre as origens da nossa índole imperialista. E eu não estou fazendo recorte sexual aqui de forma consciente, pois depois de analisar honestamente a índole da fêmea caucasiana, eu tenho achado o recorte sexual um romantismo, um romantismo do qual estou me livrando e ao mesmo tempo admitindo a natureza da minha índole. No entanto, o imperialismo sempre pareceu o fim buscado pelo Homem, e, mais uma vez, a tecnologia foi a fada madrinha que possibilitou a realização desse sonho. Os pecados capitais (xenofobia, ganância, parasitismo…) sobre os quais eu tenho discutido ultimamente foram os fatores que tornaram este expansionismo uma praga ecológica e genocida sem precedentes. Nesta guerra crônica de poder entre os patriarcas primatas, eis que um grupo étnico se destaca e se sobrepõe aos demais. Este grupo tem uma localização geográfica específica e uma classe étnica também específica. Posso dizer também que ele tem uma linha histórica continua de opressão imperialista (opressão imperialista é a opressão que se dá pela exploração de nações, ou seja, colonialismo) e seu início se deu com o império Greco-Romano. Porém, é importante salientar que colonialismo era uma prática antiga e presente em praticamente todas as culturas humanas. Para ficar bem explícito, colonialismo era uma prática já praticada pelos maias, na América Central, pelos vikings, pelos egípcios, pelos babilônicos, pelos otomanos, pelos eslavos, pelos filipinos, por todos, cara, por todos mesmo. Abandone seu romantismo, ele só atrasa nosso realismo. A guerra pelo cetro imperial era antiga, geral e crônica. Frisemos isso, que nem novidade é. E desta guerra poderia sair um vencedor e saiu. E o catalisador disto foi o trunfo tecnológico ,que ao meu ver também foi fruto do colonialismo, das viagens expansionistas herdadas pelo império romano, pois essa mobilidade, esse trânsito, entre nações causou um acúmulo natural de capital cultural. E capital cultural é um poder gerador de poder tecnológico, além de bélico (melhor forma de derrotar seu inimigo é conhecendo ele e suas fraquezas).
Então, desde o império Greco-Romano que esta classe étnica tem saído da autofagia para devorar outras nações, via colonialismo. Existe, há mais de dois mil anos, uma classe étnica colonialista. Uma classe étnica que vem acumulando poder e eternalizando o mesmo por dinastia étnica. Logo, eu julgo impróprio falar de nações com classes que exploram classes, pois algumas nações não se exploram. Algumas nações exploram outras nações, muitas outras nações, todas as outras nações. E essa exploração se dá criando uma hierarquia étnica. Para quem ainda tem dúvidas, a classe étnica imperialista é a classe caucasiana, originária da Europa.
Ou seja, não é mais prático falar em capitalismo do que falar em supremacia branca. Pois são os brancos que, há mais de dois mil anos, têm perpetuado um sistema de esgotamento de recursos do planeta e de exploração de outras etnias. Devemos nomear os opressores e, principalmente, as suas armas. Falar em capitalismo é falar de uma realidade que há mais de meio milênio já não é sustentada. Porque para o branco a ideologia de acúmulo de capital é secundária, ou melhor, ela apenas uma ferramenta do seu poder. Para o branco a ideologia do aniquilamento de outras etnias e culturas é o mais importante e vou provar por quê.
Se a ideologia principal fosse mesmo o capitalismo, os povos caucasianos, oriundos da Europa, teriam facilmente se aliado (assim como eles se aliam entre si) com os outros chefes de Estado e poder de outras etnias. Mas não era assim. Durante as viagens expansionistas dos europeus, já havia um senso de identidade entre os povos europeus, ainda que eles fossem divididos entre si por motivos diversos, eles se viam como do mesmo nível de importância racial. Já os outros povos eram, por suas diferenças étnicas, e não por suas pobrezas (até mesmo porque muitos povos eram mais ricos), inferiores. Um europeu aristocrata, já naquela época, olhava para um europeu plebeu como da mesma raça dele. Apenas pobre. Enquanto o imperador indiano para este mesmo europeu era de outra raça, menos digno de habitar o planeta lhe dado por Jeová. E digo Jeová porque a Religião foi a ideologia decisiva na unificação e poder dos povos europeus. Ela era a carta magna da ideologia de supremacia caucasiana. O europeu se achava superior porque assim o Deus de Abraão quis, pois assim Roma lhe disse. Então, até as outras religiões, dos outros povos eram inferiores, ou um mal a ser combatido (As Cruzadas). A ordem era clara: o mundo pertence aos brancos! Então, todos os povos que não eram brancos eram inferiores. E quanto menos branco, mais inferior.
O império caucasiano foi o império que mais desmatou o planeta, que mais esgotou os recursos do planeta, e que mais cometeu genocídio. Os EUA foram apenas frutos de uma expansão deste império. Os EUA são os herdeiros do europeus. São a colônia de povoamento dos europeus. Assim como o Canadá e a Austrália. Assim como a Guiana Francesa faz parte da França. Todos os herdeiros brancos, em colônias de povoamento ou em colônias de exploração, são privilegiados em relação às outras etnias. Essa herança foi legitimada durante o processo de colonialismo da América. E, HOJE, não faz muito sentido a gente falar em homens que exploram homens, mas sim em brancos que exploram ou se beneficiam da exploração de outras etnias. Temos que nomear os opressores. E eles são os brancos nativos da Europas e os seus herdeiros nas colônias. É por isso que países desenvolvidos ou com um grau elevado de desenvolvimento são de maioria branca. E é por isso que nesses países as classes econômicas são muito melhor caracterizadas como classes raciais, onde a classe dominante, nesses países, tem uma cor muito mais clara do que a classe explorada.
E definir assim é de tanta importância que aí que jaz a minha revolta com os movimentos políticos de esquerda, os chamados marxistas, pois esses movimentos, geralmente compostos por indivíduos com acesso aos nível superior, têm representantes, “heróis”, brancos! E falar em capitalismo antes de falar, de grifar, de deixar explícito, toda a trajetória e a DEVASTAÇÃO SEM PRECEDENTES DO PLANETA da classe étnica caucasiana; antes de falar da supremacia branca; é, sem dúvidas, de uma conveniência… Só isso, é conveniente. E essa palavra conveniente não é uma palavra desprovida de implicações. A conveniência da esquerda em falar sobre o capitalismo simplesmente desvia a atenção para os seus privilégios brancos. Os mesmos privilégios que inclusive os fazem colonizar todos os discursos de esquerda e as produções intelectuais e acadêmicas. Os mesmos privilégios que os mantém ali, no papel de “”voz denunciante”” majoritária do sistema, em detrimento de negras e negros. Os mesmos privilégios que me fazem parecer paranoica e exagerada neste momento. E, por sua vez, esta crítica sem relevância. Mas é justamente no detalhe da conveniência que o sistema da supremacia racial se perpetua e continua devastando o meio ambiente e explorando as nações escuras sob o nome invisibilizador Capitalismo.
Uma vez que os opressores têm cor bem definida, sempre em relação aos oprimidos, inclusive quando o recorte é sexual, não venha me falar em capitalismo. Pois, para haver um capitalismo, negros, HOJE, deveriam estar compondo a classe de “burgueses” e “micro-burgueses”, participando dessa exploração. Ou melhor, países de maioria negra deveriam estar participando do jogo de domínio das outras nações e algumas dessas nações deveriam ser brancas.
Capitalismo é apenas uma ferramenta exclusiva da Supremacia Branca para impor a sua ideologia de superioridade racial e cultural. A sua ideologia de nação escolhida por Deus. Ainda que hoje muitos deles sejam ateus. Mas ele não é um sistema universal e acima da supremacia branca, pois não há nações escuras participando desta divisão do planeta em capitanias hereditárias. Não são ricos dominando pobres, são brancos dominando o planeta.


 

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Meu objetivo é que esse post seja curto. Para isso, vou precisar que você não demande um texto extenso sobre coisas óbvias, por favor.

Eu acho incoerente uma galera que se diz revolucionária, contra o capital, contra o sistema capitalista, e defende o uso de drogas refinadas.
Cara, vamos para a história da cocaína, uma história breve, resumida. A coca é uma planta da cultura indígena, principalmente, dos ameríndios. Eles usavam ela mascando, e obtinham o efeito narcótico de euforia e coragem. Era mais usada para isso. Há toda uma relação também, acredito, de mutualismo entre plantas e o ser humano. Eu manjo nada de biologia, mas eu acho que essa teoria, além de bela e majestosa, faz sentido. Mas, tendo ou não, isso é mera curiosidade. O que importa é a forma como os índios se relacionavam com a natureza enteógena. Eles têm uma relação de respeito com a natureza. E muitas culturas indígenas recorrem à flora enteógena para fins de rituais espiritualistas. Há respeito e equilíbrio. Eles não são vida loka.
Já, ainda falando sobre a cocaína, a Coca-cola, uma péssima empresa (mega-corporação) que muitos de vocês insistem em financiar, se apropriou da cultura indigena na maior cara dura e proibiu a plantação de coca. A cola é uma planta com propriedades energéticas, nativa da África, aquele continente desvastado pelos europeus. E ela praticamente patenteou a plantação de coca e seu uso. Mais abuso deve até haver, mas isso é um absurdo financiado por consumidores. Só que a coca é uma planta, com fibras, que libera a cocaína de forma moderada e até inibida pelas enzimas do nosso estômago e acidez. Bem diferente do que é a cocaína. A cocaína (que eu nunca usei) é um produto capitalista. Mais um produto oriundo da prática de refinaria. Tipo o maldito, estúpido e viciante açúcar branco que produz lotes e mais lotes de adoecidos por diabetes e obesidade. A cocaína tem fins capitalista. Tudo o que um capitalista quer é o que a cocaína é: refinada, dá barato rápido, viciante, escravizante, alienante e adoecedora.
Compare a coca e a cultura indígena, que vocês, ocidentais, falaciosamente utilizam como referência de uso milenar de drogas, com a cocaína, um produto refinado, que cai diretamente na corrente sanguínea, e causa uma dependência química e aliena o indivíduo. E o crack, cara. A metanfetamina!
Numa sociedade onde a educação é precária e existe uma indústria ferrenha de depressão, é libertário apoiar a liberação no mercado de um produto capitalista com fins explícitos de criar um consumidor escravo (dependente)? Já não basta a coca-cola? E esses produtos capitalistas são perfeitos, eles viciam, alienam e alimentam a indústria farmacêutica.
A gente tem o problema da fome, miséria e falta de moradia, mas é libertário e inteligente ter que desviar fundos para a inflação de adoecidos pelo próprio sistema capitalista. É isso mesmo?
É libertário apoiar a transformação de pessoas em alienados dependentes? Viciados?
Dependência química é crueldade e ela é apenas mais uma ferramenta da engenharia social da escravidão.
Pelo amor da deusa, reflitam vocês mesmas sobre a indústria das drogas, de onde ela vem, qual o intuito de quem a produziu.
E por falta de tempo, só me resta finalizar com uma frase famosa “obrigado, por fumar”.
O sistema mais que agradece, enquanto você acredita que está sendo ultra-revolucionário.

P.s: Eu não uso drogas (refinadas jamais) justamente por ser formada em química. E me interesso por macropolíticas de saúde coletiva. Não individualista, capitalista.

Texto recomendado: O tráfico de drogas arruina a vida das periféricas e não ignore que você financia isso.

Ano passado eu fiz um vlog onde eu fazia a correlação de causa e efeito entre racismo e a corrupção brasileira. Mas como eu sou péssima no falar, e só faço vídeos longos e mal editados, vejo a necessidade de esmiuçar isso por escrito.

A maioria dos problemas sociais e políticos do Brasil é por racismo, inclusive a corrupção.

E o machismo? Olha, o machismo é a causa universal, histórica, dos problemas do planeta Terra. Então, vou me ater apenas ao recorte de etnia, de raça, pois ele é o nosso diferencial sim. Países menos machistas são mais desenvolvidos. E o Brasil é um país subdesenvolvido, LOGO, bem machista. Chover no molhado falar disso agora. Agora, quanto ao subdesenvolvimento, vemos que os países desenvolvidos (alto IDH, baixo Gini) têm cor. Branca. Países com maioria branca, caucasiana, são mais desenvolvidos que os demais. Um dado que de forma isolada pode ser uma informação que agrade ao racista. Mas estudando o contexto este dado pode ser uma informação para abrir as nossas mentes civis. No vlog eu falava do fato interessante de países como a Argentina, Uruguai e Chile, serem mais pobres que o nosso e no entanto mais desenvolvidos. E, claro, de maioria branca. Maioria massiva branca. Estive na Argentina em 2009 e em 2010, quando o dólar estava menos que dois reais, e uma coisa que me saltou aos olhos foi a ausência de negros. Eu era a única negra em toda a viagem, nas duas viagens. E as outras pessoas de pele escura eram peruanas, colombianas, equatorianas, etc. Pois a América do Sul é dividida assim:

  • maioria branca nos países mais desenvolvidos: o trio Argentina, Chile e Uruguai.
  • maioria mestiça hispânico-indígena nos demais, exceto o Brasil.
  • maioria mestiça afro-indígena no Brasil.

Na Argentina, particularmente em Buenos Aires, eu não vi um negro, exceto quando eu me olhava no espelho. Nem dentre os turistas, curiosamente. Era pior que o sul do Brasil. Então perguntei a um amigo argentino muito politizado (tal como os argentinos comumente são): “onde estão os negros?”. Pois eu sabia que os espanhóis também tinham escravizado os africanos na época do colonialismo. E então ele me respondeu com naturalidade: “matamos todos logo após a libertação”. Aquilo doeu e doi até hoje. E ainda assim, eu preferia morar na Argentina a retornar ao meu habitat natural brasileiro, a saber, a favela. Mil vezes melhor lá que aqui. E também reparei com olhos atentos o quanto o povo argentino era politizado. Política era um tema tão discutido nos metrôs e padarias quanto futebol, e as manifestações sociais eram parte já da atração turística da cidade. Enquanto pela mídia, Chile e Uruguai, de maioria branca, parecem seguir o mesmo estilo de vida, a cultura de participação política ativa das massas. E como resultado, ou “coincidência”, são os países mais desenvolvidos da América do Sul. [Shot%2520016%255B7%255D.png] Com destaque para o desenvolvimento quanto à educação. A gente deixa muito a desejar no setor da Educação, que é a base do desenvolvimento como um todo. Inclusive na mentalidade. O que retroalimenta o comportamento atrasado de xenofobia e intolerância nos deixando prisioneiros do círculo vicioso da ignorância de desvalorizar a educação e por isso persistir ignorantes.  E essa ignorância necessariamente se reflete na política.

Mas por que mesmo as coisas são tão difíceis no Brasil?

Estou para fazer um post criticando o termo “jeitinho brasileiro” que para mim não existe, ou ao menos não da forma como colocam, como sendo a causa de nossos males. O tal “jeitinho” é a resposta e super o defendo. Assim como defendo a violência urbana. As mentes mais blasés já podem dizer “parei aqui” e fechar esse post após lerem essas minhas afirmações subversivas, para variar.

Bem, o Brasil é um país notável, de dimensões continentais, “rico” (PIB alto) apesar de pobre, rico em recursos naturais, rico em cultura. Um país que tem tudo para ser uma potência mundial, não apenas econômica, e no entanto está constantemente atrasado em relação ao mundo. É um país autofágico*. E é autofágico justamente por ser um país que abarca não uma nação, mas nações. Nações com relação hierárquica, onde o sistema é (além do velho e passado machismo, claro) a Supremacia Branca.

Eu não sou boa em História, mas costumo analisar, e avaliar, o racismo partindo da perspectiva de que, antes de falar em racismo (contra o negro), falarmos na Supremacia Branca. E, como não sou boa em História (tirei UM de 10, no vestibular), eu aceito ser corrigida por alguém que manja mais, com suas devidas fontes. Mas por que eu penso assim?

A supremacia branca difere da supremacia masculina no aspecto de não ser natural, mas um acidente histórico. Às vezes eu até pondero que tenha sido natural devido à relação entre o frio e as etnias caucasianas, pois o frio, enquanto fator de estresse, acelera o processo de ciência, etc… Conjecturas que você não precisa considerar aqui por não serem relevantes na validade da discussão. Mas só para você ficar ciente do que são conjecturas pessoais e do que não são. E eu dizia que a supremacia branca difere da supremacia masculina no aspecto de não ser natural, mas um acidente histórico, ou seja, ela aconteceu devido ao curso que a História tomou, dentro de suas sucessões e correlações de eventos. Na Europa consolidou-se a cultura de expansionismo. Cultura esta que trabalhava principalmente com o próprio expansionismo cultural. Se a Grécia foi o berço da civilização ocidental, nossa civilização, a Europa foi a mansão. E, desde o império greco-romano, que a cultura de invasões, guerras, genocídio, genocídio cultural, saqueamento e exploração, ocorre pelo que podemos chamar de Ocidente. Então, acho que aqui no meu texto posso chamar de Ocidente todo o sistema da supremacia branca, caucasiana, europeia. Então, aqui no meu texto, eu posso chamar todas as demais culturas de não-ocidentais, a saber, a dos ameríndios e esquimós (continente americano), a dos negros africanos e dos árabes (continente africano e oriente médio), a dos aborígenes (Austrália), e a dos eslavos, indianos, e povos amarelos (Ásia, Japão e aquelas ilhas lá). É muita gente. Muita gente a ser colonizada, e que, graças ao desenvolvimento tecnológico desenvolvido pelos povos europeus (que também viviam de saqueamento de conhecimento científico de outros povos), foi de fato colonizada por esse grande império chamado Europa.

Eu costumo dizer que estudar História ou mesmo ponderar o futuro sem ponderar o processo de desenvolvimento técnológico é superficial. A tecnologia é a ferramenta humana para mudar até mesmo a sua História, é a caneta que escreve a História, ou o laptop, tanto faz. Mas ela é crucial para causar grandes revoluções, no sentido de grandes mudanças na cultura humana. E, estudando História da Física, ouso dizer que as ciências desses três povos: africanos, “orientais” e árabes, foram colaborativas para, olhe a ironia da natureza, o desenvolvimento tecnológico dos caucasianos. Não vou me aprofundar quanto a isso e nem citar fontes, pois esses “dados” não invalidam a proposta central do texto. Mas quem quiser me contrapor, é bem vinda. Eu realmente sou uma pessoa de pouca leitura e ainda não tive tempo de sentar e ler livros de ciências sociais. Estou conectando minhas informações avulsas que fui coletando ao longo da vida. Mas, os europeus viviam em suas viagens, principalmente naquele lance genocida que foram as Cruzadas, e você não acha que eles saquearam ciência dos indianos, chineses e árabes, nessas “viagens”? Eu, pelo pouco que estudei em história da Física, no meu trabalho sobre a história da Física na Índia, desconfio que sim, saca? Tenho fortes desconfianças. Porque tem certos saberes, certos insights, que a história ocidental coloca como tendo iniciado lá (como a descoberta do modelo heliocêntrico, por exemplo, ou que a Terra era redonda), que há milênios já era sabido por indianos, chineses e árabes (e até pelos nosso ancestrais ameríndios). E esses caras brancos viviam lá.

São conjecturas, mas pelo menos derrubariam muitas prepotências de caucasianos e mestiços com seu fenótipo.

O certo seria eu mudar o subtítulo desse trecho, mas deixa assim mesmo.

A Supremacia Branca então pode ser, para fins didáticos, comparada à supremacia masculina, enquanto sistema de exploração. Não é natural, na-na-nina-não, e nem foi um fim que foi almejado pelos caucasianos. Não. Essa coisa de supremacia étnica vem desde à África. Desde a África e também isolada na América (a América parece o back-up ativo do sistema operacional da humanidade, rs). Então, eu acho que eu posso dizer que esse lance de ter como objetivo a própria supremacia étnica é sim natural. Tanto quanto o machismo. E assim como a supremacia masculina, este sistema pilar de todas as variações de opressões da nossa espécie (fato), teve como ferramenta principal a misoginia, esse lance que chamo de supremacia étnica teve como ferramenta principal a xenofobia. A xenofobia sim, veja como as coisas devem ser simplificadas para a gente fazer análises, a xenofobia sim seria natural ao ser humano. Ao ser humano macho e fêmea? Peut-être. Mas  ao ser humano macho definitivamente. E, eu, hoje, acredito, sem firmeza, confesso, que ao ser humano fêmea também.

Xenofobia é a palavra que devemos resgatar aqui. Se tem uma coisa que moveu a humanidade para tanto e tanto genocídio (geno de gene, cídio de assassinato) foi a xenofobia, a intolerância ao diferente. E o racismo não deixa de ser um tipo de xenofobia. Instaurada a supremacia branca, quem vai ser o “xeno”? Primeiramente, tudo aquilo que não é ocidental. Segundamente, tudo aquilo que é diferente do fenótipo caucasiano (que é um grupo étnico, lembremos, fruto dos próprios acidentes geográficos, recordemos). E quem e é tão xeno assim ao fenótipo caucasiano? O fenótipo negro, vulgo negroide. Curioso pesquisar por que caucasiano, negroide e mongol. Não vou pesquisar não, mas provavelmente esse “oide” significa “inferior”. Depois vocês mesmas chequem e me digam.

Negros são um grupo étnico, de alta variedade, localizados originalmente em três locais principais: África, Austrália e uma ilhota ali perto da Filipinas. Não lembro o nome. Mas nesses três locais se encontram esse grupo étnico que de inferior aos demais nada tem. São adaptados, principalmente, às condições geográficas que abrigam climas quentes. Não formam um grupo homogêneo (tal como nenhum grupo étnico), tendo diversas etnias. Mas suas características principais são pele bem melanizada (entre o chocolate amargo e o chocolate ao leite) e traços negroides (lábios carnudos, narinas aptas a inspirar ar rarefeito, olhos médios ou grandes, poros dilatados…). Alguns são bem altos, outros negros são nanicos. Mas nem todo negro é africano e nem todo negro tem o cabelo afro. O cabelo afro, se eu não estiver equivocada, é prerrogativa dos negros africanos. Na minha opinião semi-descolonizada, é o cabelo mais bonito. E, graças à Deusa, é o cabelo que carrego no topo da minha mente. :3

Eles, negros, também foram xenófobos, tal como todos os grupos étnicos. Corrijam-me se meu pensamento indutivo já tiver sido desmentido.

Xenofobia é aversão ao diferente, e isso se dá principalmente quanto à aparência (aparência é outro detalhe que os historiadores e sociólogos deveriam ponderar muito quando forem fazer análise histórica) e hábitos. E, dando nomes mais precisos aos bois, aparência é o fenótipo, no fim, e os hábitos são a cultura. Focar, resgatar o conceito de xenofobia é muito útil aqui.

Racismo é uma das xenofobias humanas. E ele é a ferramenta xenófoba daquele sistema institucional específico, supremacia branca. A supremacia branca foi o que gerou o racismo? Não. Racismo, enquanto xenofobia, sempre existiu. É interessante resgatar o fato de que povos tribais se pintam de forma específica para criar justamente distinção de outras tribos e evitar “penetras”. É uma forma de marcar território ou dizer “esse é da nossa família, carrega nosso sangue (leia genes)”. É uma coisa bem patriarcal, no fim, pois homens não são naturalmente pais, só doadores de esperma, mas mulheres são naturalmente mães sim.

Instaurada a supremacia branca, aquele acidente histórico que citei acima, o racismo contra o grupo étnico extremo ao caucasiano (vamos chamar essas porras de caucasoides, chega) caucasoide, os negros, foi instaurado como ferramenta imperialista. E assim, outra catástrofe social humana (antes já tínhamos a misoginia e a homofobia) se consolidou e perdura hoje por séculos. Milênios? Só abrindo livros de História para averiguar isso, só que também não é relevante.

O subtítulo é sobre por que as coisas são tão difíceis no Brasil. Bem, acredito que até esse ponto muitas de vocês já sacaram tudo. Mas vamos dizer para não ficar o dito pelo não dito. As coisas são difíceis, não dão certo, e nunca darão enquanto o problema do racismo não for desconstruído (assim como a humanidade como um todo jamais vai alcançar a evolução comportamental enquanto existir misoginia). Não adianta tentar construir um país, uma nação, assim, meu filho. É burrice, é estupidez. Combate ao racismo deveria ser prioridade nesse país.

É devido ao racismo que a corrupção faz mansão no Estado brasileiro? Sim. É devido ao racismo que o descaso político cerca latifúndios no território brasileiro? Sim. É devido ao racismo que os hospitais públicos estão abandonados? Sim. É devido ao racismo que a violência urbana fervilha  cada vez mais, e vai ficar pior daqui a alguns anos? Sim. É devido ao racismo que a violência nos lares impera? Não. Essa é devido à misoginia, à supremacia masculina. Mas o racismo reforça isso. É devido ao racismo que o sistema educacional está falido? Sim.

Este ainda é um país colonial. Não adianta, quem me disse isso foi a História, esse laboratório de empirismo social, e a Física, não adianta você implantar um nova ordem sem mudar a mentalidade das unidades formadoras de sociedade, as pessoas. Não adianta, cara. Stalin estava errado. Era só mais um macho precipitado e estúpido. A Física nos diz que sistemas assim são instáveis. As mudanças devem ser lentas, graduais. A não ser que você use enzimas, mas as enzimas nesse caso é a educação. Não adianta e não adiantou chegar aqui, os ingleses, e dizer “chega desse sistema que está atrapalhando meu comércio exterior, liberte esses animais produtivos” e então os colonos serem forçados, a muito contragosto, a “libertarem” os africanos e negros escravos, sem a mentalidade daquele povo (que no fim são bolinhas de extrume cultural) ter mudado. Hiper necessária foi a libertação. Caso contrário, eu não estaria tendo essa conversa aqui com vocês. Mas a Educação era necessária para que o fim, chamado o fim do racismo, fosse alcançado. Muita energia foi gasta sobre um sistema que não conseguiu absorvê-la de forma homogênea. O sistema gerado foi caótico. Para que as reações não aconteçam dessa forma, a gente usa enzimas, que são catalisadores. A educação é a nossa principal enzima. É ela que trabalha a consciência desses animais racionais potencialmente-racionais chamados humanos. A natureza é amoral, assim como a nossa. Esperar que as pessoas alcancem o bom sensinho por si mesmas é ingênuo. Essa energia chamada ideologia política deve ser absorvida pela maioria das partículas, e esse processo deve ser gradual.

A lei impõe, verdade. Mas quem lê a lei? E, o pior, quem tem interesse em aplicar a lei? Um magistrado racista e machista? Aonde?! Jamais! Só a ascensão cultural (cultura é o saber, conhecimento, ciência) dos verdadeiramente interessados na equidade social é que vai fazer vigorar a parte coerente e lúcida da lei e a reforma da parte desonesta. Não tem jeito, a revolução vem de baixo. De baixo não, do alto, do morro. Todo animal quer sua liberdade. Só que a ideologia implantada hoje é de racismo e misoginia. Em duas faces, expelente e absorvente. A expelente vem dos beneficiados por esse sistema de desigualdade social, os brancos as brancas e os homens. E a face absorvente são os negros e as mulheres.

A Esquerda brasileira tampouco é esquerda de fato. É opressor disfarçado de interessado na equidade total. Tanto que ela omite, omite, ela omite que nosso problema no Brasil é uma questão racial, não econômica. As classes aqui são étnicas. Mas por que isso é omitido nos palanques partidários e eles se colocam no mesmo saco de farinha que a gente? Porque tudo aquilo não passa de masturbação, transferência de culpa. Ninguém está interessado em autocrítica. É tudo uma forma de consolo da própria consciência. “Os opressores são os burgueses”. Quem são esses burgueses, playboy? Olha bem o que tu tem e o que a gente não tem! De onde veio tudo isso se não da alienação de nossas próprias vidas? Deixamos de criar bem nossas negrinhas e negrinhos para limpar sua privada. Ou manter aquela multinacional que você adora frequentar para comprar hamburguer funcionando, acessível a você. As vagas das universidades ainda são de vocês e são vocês que falam por nós, sempre. Em análise rasa mas muito bem provida de interesses exclusivos. Há tanto a ser dito e até agora eu pouco ouvi. Coisas óbvias, mas que elas e eles não falam. Por quê?

É pelo racismo que há esse descaso com a política, pois brancos não usam serviços públicos, eles preferem terceirizar. Tenho certeza que as universidades privadas vão se expandir depois das cotas. Essa é a tendência, fugir do contato social com o que não é estético, a saber, o xeno, o negro. A negra. Porque buceta ainda é a palavra mais feia e temida. Buceta preta então…

É o preço que pagamos. Muito se fala em nazismo contra os judeus. Nas escolas mesmo. A gente tinha que decorar quem começou o que, quem fez aliança com quem, quem eram os aliados. Mas, tia, quando você vai falar do nosso holocausto – o holocausto dos escravos? E quando vai dar enfoque à manobra política que fizeram de empregarem imigrantes italianos, e outro brancos, no lugar dos negros, dando-lhes terras inclusive. E os que carregam hoje seu fenótipo se acham os merecidos. E omitem tudo isso de nós, nos palanques, nas universidades, nas salas de aula, nos telejornais. Se eu pudesse editar o aurélio, eu colocaria “cínico” como o sinônimo de branco. É isso que vejo em demasia nas brancas feministas. Que mulheres cínicas! Nossa, acervo histórico de cinismo nos meus prints (thank you, tecnologia).

Eles, os caucasoides, os cínicos, não nos querem sentados em suas mesas, claro, mas também não nos espaços públicos. Talvez se a gente for um pouquinho mais claro, e cabelos acaucasoidado… plástica facial via maquiagem, quem sabe? E não esqueçamos de também utilizar a vossa linguagem. Se você não fala como elas, você é burra. Se não usa os jargões que no fim nem elas mesmas entendem, só reproduzem o que leem repetidamente em suas faculdades de ciências sociais, você está errada. Errada não, equivocada. Equivocada não, desprovida de análise teórica  pós-moderna materialista de alta funcionalidade excrecente.

Aproveito o ensejo para alfinetar que o opressor(A) é tão parasita que  até nossas lutas e nossa identidade querem parasitar. Sempre. Praxe.

E covarde.

E dramática.

As universidade federais são as instituições públicas mais visadas pela classe média. Por quê? Porque até então negros lá não entravam. E se negro não entra, a instituição funciona. Porque com branco e filho de branco todo mundo se importa. Principalmente o Estado. Vide que quem vai preso hoje é apenas o traficantedo [negro]   e não o viciadusuário [branco].

Se a classe média usasse os serviços públicos, ou seja, se ela não se importasse mesmo em dividir espaços e cidadania com as negras, e os negros, os hospitais públicos funfariam, porque seriam as brancas bem vestidas que reclamariam. E ela, a classe média, que é branca, se aliena da política porque ela não utiliza mais os serviços públicos (exceto o ensino superior), logo, por ela, eles deixariam de existir, os impostos deixariam de ser pagos, e o Estado deixaria de intervir no salário que ela paga às negras.

E é por isso que não há policiamento do Estado, dos governos, pois não há interesse, visão de utilidade, nos serviços públicos. Não há interesse nas políticas sociais de equidade. Não, pois política social é sinônimo de divisão de espaço com a negrada. A negrada que hoje invadiu as redes sociais e importuna a paz e sororidade das feministas e dos esquerdistas.

Sem interesse nos serviços públicos, sem policiamento de como as verbas públicas coletadas pelos impostos estão sendo empregadas.

Sem interesse em integração de nação, sem diálogos solidários visando um bem comum nos vagões de metrô ou filas de bancos. Aliás, a classe média nem os coletivos dividem com a gente. Só na Argentina ou Chile que vai rolar esse interesse no que o outro tem a lamuriar. Porque lá o outro não é xeno, não há xenofobia. O outro é branquinho também.

Aqui, no Brasil, pretos e brancos não têm objetivos comuns. O preto tem muito a reclamar do branco, sem sequer saber que a questão é racial. E o branco tem muito a reclamar do porquê do negro não estar ocupado na senzala, estar ocupando os espaços que ele frequenta, inclusive os shopping centers. Inclusive os grupos feministas.

Não temos demandas em comum. A demanda do branco é de como parasitar mais e melhor, a demanda do negro é de deixar de ser parasitado pelo branco. Aliás, outro sinônimo para o branco, parasita.

Esse problema do racismo não afeta apenas o Brasil enquanto naçãopaís, mas também o feminismo. O problema do feminismo é única e exclusivamente o racismo. Mas elas insistem em achar que podem ser as heroínas das mulheres que elas mesmas exploram, porque são burras, nunca vão nos ouvir, na íntegra, de forma integrada. Sempre terá a feminista despreparada para nos encher o saco com seu racismo (re)velado. E negras serão preteridas, tomadas como agressivas, ignorantes.

E “””””coloristas””””… O opressor sempre querendo parasitar até a nossa identidade. Foda.

Sei lá, acho que eu já disse muito do que eu queria dizer. Foi difícil manter o foco porque racismo está mesmo em todo lugar e fode com a vida de nós brasileiros. Enquanto esse mal não for eliminado, principalmente das feministas materialistas (radicais), a gente não vai avançar e a Esquerda não vai sair dessa masturbação.


*autofágico é o termo que eu uso para países que se sustentam da exploração/escravidão de seus próprios cidadãos, exemplo, a China. China é um ótimo exemplo. Países autofágicos enriquecem, mas nunca se desenvolvem.


Eu sou escritora e tenho livros publicados. Confira aqui . 😉

 

Tô muito ocupada hoje, sem tempo.

Tem esse proposta aqui de pré-técnico nas periferias. Se você trabalha com ações sociais, dá uma olhadinha nessa proposta de projeto. Eu tinha ela mais esmiuçada mas não sei onde está. Eu enviei para algumas associações de periferias mas nem me responderam. Abs.

PROJETO: Curso pré-técnico misto nas periferias

ONDE: Periferia

OBJETIVO: Trabalhar como política paralela da educação de base sem fins partidários ou lucrativos vendo o acesso

às escolas federais como uma oportunidade de ensino integral e de qualidade para formar cidadãos, dando base não

apenas para o ensino superior, mas também para o exercício da vida pública (ciências sociais p.e) e privada (educação

científica p.e).

POR QUÊ: As escolas federais são referência em ensino público no Brasil. As cotas universitárias são medidas

paliativas para diminuir a desigualdade de acesso ao ensino superior. Mas o ensino superior não é suficiente para

formar cidadãos com habilidade de pensamento analítico, crítico e criativo. O cotista que não teve acesso a um ensino

médio integral pode carregar em si lapsos de conhecimentos e habilidades desenvolvidas que serão necessários para a

vida pública e privada. A democratização do ensino médio de qualidade é de suma importância para o empoderamento

social, econômico e civil das camadas periféricas.

EXPECTATIVAS: complemento de qualidade do ensino fundamental; facilitação do acesso às escolas federais; troca

de vivências; oportunidade de métodos inovadores de ensino; despertar mais cedo o interesse pelo aprendizado;

exemplo a ser seguido por ONGs, governos e outros.

COMO: Colaboração pura de voluntárias que ministrarão aulas preparatórias para as escolas democráticas referências

de ensino no Brasil (CEFET, CEFETEQ, Pedro II, CAPs, Colégio NAVE, FAETEC,…)

Enquanto não temos um blog próprio, textos negralistas serão sinalizados assim /\

O problema não é só na obstetrícia misógina não, moça. Você faz ideia do quanto as escolas e creches são desumanas? Feminismo não vai falar disso porque as escolas particulares são controladas pelo capital. E alunos brancos são melhores tratados.

Já olhou a grade de licenciatura no Brasil? O licenciando não tem disciplina que desconstrua o racismo dele e ele chega nas escolas tratando a gente pior do que se trata um animal. Nossas escolas estão lotadas de professores e diretores racistas. E homofóbicos.

Sugiro como pauta política CRECHES E ESCOLAS PÚBLICAS HUMANIZADAS com enfoque na desconstrução do racismo. Pra ontem.

Tô muito ocupada pra falar mais. Mas preciso mesmo?

Enquanto não temos um blog próprio, textos negralistas serão sinalizados assim /\. Antes de entrar no feminismo, antes de meu primo que mora na favela ter voltado da Alemanha e dividir experiências de políticas de habitação, eu já achava que isso não deveria nem ser visto como “radicalismo”, no sentido de “já tá querendo demais”. Deveria ser o mínimo, o essencial, o pra ontem. A mulher negra do tipo cor preta e cabelo crespo, como a maioria das pretas que compõem as favelas, deveria ter o direito constitucional, exclusivo, de ter uma casa desfavelizada, ou seja, fora da favela. Porque se essa mulher não tem nem um teto digno, ela vai continuar sendo a pária das párias. Então, casa para as mulheres, na falta de casa para as todas, deveria ser casa para essas mulheres antes. Aos 21 anos, de preferência, sem possibilidade de venda ou aluguel. Elas são as mais preteridas, as mais vítimas de analfabetismo e de exclusão social. Só chamam elas para limpar casa, e muito mal. Pois até ser doméstica para ela está difícil. Se sua vida é dura e difícil, dessas mulheres é pior.

Então, ainda sendo negralista, esta é a minha contribuição, pedir atenção para essa proposta: DESFAVELIZAÇÃO DA MULHER NEGRA enquanto pauta de movimento político. Antes do aborto. Pois aborto é medida paliativa. Descriminalização do aborto é para a mulher que esqueceu a pílula. Não é, jamais, a solução da maternidade compulsória. Os benefícios e os porquês, eu deixo para as mentes mais intelectualmente honestas enumerarem pois eu estou lotada de serviços meus e meio saturada de dizer o óbvio. E essa luta não é só das pouquíssimas negralistas que existem. Só tô esperando as chantagens. É de toda a esquerda. Deveria. A esquerda tem obrigação de priorizar a mulher preta. Esta que é preterida em tudo!, até nas vagas de subempregos remunerados…